A RTP e a EDP

A televisão pública mete nas contas da luz uma taxa que, nos últimos seis anos, já lhe rendeu quase mil milhões de euros.
04.02.18
A RTP e a EDP

Se há coisa que me irrita é a taxa que a RTP nos cobra na conta da luz. E se há coisa que ainda me irrita mais é contemplar a factura da EDP. Encontraram-se à esquina, não sendo por acaso que se coligaram para, sem justificação, sacar uma fatia do nosso dinheiro.

Conheço serviços públicos televisivos de boa qualidade, da BBC inglesa à PBS americana. O esquema de financiamento destes canais é diverso, mas sabe-se quem paga o quê e para quê.

Nada disto sucede na RTP. Nasceu sob a asa do Estado, adapta-se aos governos, exibe séries abaixo de qualquer classificação e consegue meter à socapa nas contas de electricidade e de gás uma ‘taxa’ que, nos últimos seis anos, lhe rendeu quase mil milhões de euros. Se já andava furiosa, pior fiquei quando soube o que aí vem: devido à CAV (Contribuição para o Audiovisual), a conta da electricidade ficará onerada em 6%. A extorsão está a crescer, prevendo o Orçamento do Estado de 2018 que a CAV ofereça ao canal público 186,2 milhões de euros. Há ainda a DGEG e a TDS. Por detrás dos acrónimos escondem-se coisas tão extraordinárias quanto "a utilização e exploração das instalações eléctricas" e a "utilização e aproveitamento do domínio público e privado municipal".

Em anos recentes, e apesar de estar sempre em casa à noite, jamais vi o canal público. Não gosto dos seus concursos, das suas telenovelas, nem dos seus ditos programas culturais. Sendo isto verdade – se quiser dar-se ao trabalho de verificar, autorizo a RTP a colocar uma câmara de videovigilância na minha sala – não entendo por que hei-de pagar do meu bolso um canal que NUNCA vejo e que faz concorrência desleal às televisões privadas.

Como se não bastasse, a EDP, Galp Energia e Endesa decidiram retirar das verbas da CAV dois milhões de euros pelo imenso, difícil e penoso trabalho de meterem nas facturas a linha dedicada à CAV.

Os meus concidadãos esperam que tudo lhes aconteça. Impostos que ninguém entende, leis abstrusas, decisões governamentais sem pés nem cabeça. Infelizmente, qualquer protesto é visto como esforço inútil. Os portugueses habituaram-se a pagar sem resmungar. É pena.

antiga ortografía

Livro:

Autora de ‘Harry Potter’ noutro tipo de obra

Após ter ido com as minhas netas a uma exposição a ela dedicada em Nova Iorque, folheei os livros de J. K. Rowling, autora de ‘Harry Potter’, tendo-me apercebido do motivo do seu êxito. Recomendo uma pequena obra sua de natureza diversa: ‘Uma Vida Muito Boa: Os Benefícios do Fracasso e a Importância da Imaginação’.

Natureza:

Dona das camélias durante o inverno

Nunca gostei de flores, ou antes, nunca gostei de flores até o meu vizinho William me ter dado uma cameleira. Mas tratei-a tão mal que ele acabou por me oferecer um sistema de rega automática. Eis que ontem me deparei com sete maravilhosas camélias. Pensava que as flores só surgiam na Primavera. Pelos vistos, não é assim.

Tendência

A moda que contraria Dorothy Parker

Mulheres que não sofrem de miopia deram em usar óculos com lentes sem graduação. Pelos vistos, os óculos estão na moda. Se ressuscitasse, Dorothy Parker, a da frase "os homens raramente desejam mulheres que usam óculos", deveria ter ficado surpreendida. Hesito em saber qual o motivo da mudança, mas deve ser bom.

FUGIR DE:

LUÍS NEWTON

A direcção da bancada social-democrata na Assembleia Municipal de Lisboa acaba de contratar um psicólogo para prestar serviços na área das neurociências comportamentais. Segundo o seu líder, Luís Newton, que também é o presidente da Junta de Freguesia da Estrela, tal contratação seria necessária, por esta especialidade ser "determinante para uma maior capacidade de compreensão sobre os fenómenos comportamentais que impactam a vida comunitária". E que tal contratar um psiquiatra para analisar a psique de Luís Newton?

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