As histórias desconhecidas de João Semedo

Médico e ativista pela morte assistida foi funcionário comunista e esteve preso em Caxias.
17.07.18
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Distribuíam os panfletos de apoio à Comissão Democrática Eleitoral (CDE) na Av. da República, junto à estação de comboios da Parede e a menos de 200 metros da esquadra da PSP. Também teriam tarjas com frases como esta, a verde: "O regime de Marcel [sic] vive à custa da emigração – abaixo a exportação de carne humana." Ou como esta: "CDE abaixo o fascismo a força do povo."

O resultado não podia ser outro: às 16h daquele sábado, 22 de Setembro de 1973, o grupo foi surpreendido pelos agentes da polícia. Houve quem fugisse e largasse o casaco, os óculos ou uma carteira preta com 2.320 escudos (hoje seriam 400 euros). Uma mulher deixou os tamancos para trás. Mas oito homens e duas mulheres foram apanhados. Entre eles estava João Semedo, estudante do 5.º ano de Medicina e que lá tinha chegado com outras três pessoas que, segundo disse mais tarde no interrogatório da PIDE, não conhecia. Tinha-lhes dado boleia no Citroën CS desde o Estádio Nacional, mas a sua missão era apenas a de condutor.

A caravana de carros (um primeiro relatório da PIDE dizia que seriam cerca de 100 homens e mulheres) já tinha espalhado parte dos 50 mil panfletos impressos numa gráfica da Buraca, em Paço de Arcos, Oeiras e Carcavelos, segundo um roteiro apontado a lápis de carvão e marcador roxo numa folha A4 apreendida pela PSP. Faltou-lhes passar por Cascais e Malveira da Serra. João Semedo disse à PIDE que não distribuíra nada, nem fazia parte do movimento CDE, mas "como democrata" dava a sua "adesão na generalidade" ao comunicado de duas páginas em que se lia: "Todas as liberdades se encontram esmagadas pela força da violência".

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