Bispo, Monsenhor e padres detidos por desviarem esmolas e doações

Religiosos são suspeitos de terem desviado centenas de milhares de euros.

Numa operação com alvos muito pouco comuns e que provocou profunda deceção em muitos fiéis, um Bispo, um Monsenhor, um Vigário-Geral e quatro padres da Igreja Católica foram presos esta segunda-feira em três cidades do estado brasileiro de Goiás. Eles são acusados pelo Ministério Público de terem desviado centenas de milhares de euros de esmolas e doações de fiéis em proveito próprio.

A operação, que envolveu 10 promotores do Ministério Público e dezenas de agentes da Polícia Civil (Judiciária), foi desencadeada nas cidades de Formosa, Posse e Planaltina. Entre os presos está o Bispo de Formosa, D. José Ronaldo, a autoridade religiosa de maior destaque a ser acusada dos desvios.

Segundo o Ministério Público, os desvios aconteciam pelo menos desde 2015, quando promotores receberam as primeiras denúncias, feitas por fiéis indignados que perceberam o desaparecimento de vários montantes, e decidiram iniciar uma delicada investigação. Os religiosos e dois funcionários administrativos, igualmente presos esta segunda, são acusados de ficarem, além de com esmolas e doações, com o resultado de festas organizadas por católicos para ajudarem as suas paróquias, e com parte das taxas pagas pelos fiéis por serviços como casamentos e batizados.

Durante a ação desta segunda-feira, foi apreendido grande montante em dinheiro vivo e carros de luxo, que estão em nome de terceiros mas que a polícia e os promotores dizem que, na verdade, pertencem aos religiosos presos. A Diocese de Formosa recusou comentar a prisão de D. José Ronaldo e dos outros religiosos na operação desencadeada esta segunda-feira, durante a qual agentes e membros do Ministério Público invadiram com autorização judicial residências, paróquias e até um convento.

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