Construção da maior estátua do mundo gera polémica na Índia

Peça serve para honrar “Shivaji”, rei e guerreiro hindu do século XVII.
06.07.18

A construção da estátua de "Shivaji", rei e guerreiro hindu do século XVII, em Maharashtra, na Índia, está a gerar polémica devido não só ao elevado custo do memorial, naquele que é um dos países com alto índice de pobreza, mas também a matérias de carácter político-religiosas.

O principal elemento da discórdia é uma figura a cavalo de um rei que lutou contra o Império Muçulmano Mughal até formar o reino Maratha, que passou a ocupar grande parte da atual Índia até à invasão colonial britânica.

O constante aumento do orçamento disponível para a construção de "Shivaji" resulta de uma "corrida de alturas" realizada entre a Índia e a gigante vizinha asiática, China. Segundo apurou o jornal El País, estima-se que a peça irá custar mais de 450 milhões de euros.

"A proposta do Templo da Primavera de Buda tinha 208 metros de altura e o nosso memorial teria 210. Mas as autoridades chinesas fizeram algumas mudanças na base da estátua, elevando-a para 210 metros. Isso levou-nos a rever o nosso projeto e aumentar a altura da estátua para 212 metros", contou o chefe executivo estatal, Devendra Fadnavis, ao El País.

O memorial vai ser duas vezes mais alto do que icónica Estátua da Liberdade, de Nova Iorque, e será construído na Marine Drive, uma movimentada ilha artificial que fica nas margens de Bombaim.

Apesar da relevância histórica que a estátua carrega, há quem se oponha à construção e indique que se trata de uma manobra populista que tem como único objetivo ganhar votos, dado que a maioria da comunidade daquele Estado é natural de Shivaji.

Para além de ser a cidade mais cosmopolita da Índia, Bombaim é também o principal "palco" de confrontos entre o partido regionalista Shiv Sena e minorias que enfrentam diferentes formas de discriminação local, incluindo a impossibilidade de alugar apartamentos em certas áreas da metrópole indiana.

Um dos processos que exigem o cancelamento da construção caracterizam o projeto como "um desperdício criminoso de fundos públicos quando há pessoas que vivem na pobreza e lutam diariamente para sobreviver". 

Mesmo sendo um dos estados mais prósperos da Índia, devido em parte à economia de Bombaim, Maharashtra tem indicadores socioeconómicos preocupantes. Segundo avançou o jornal espanhol, os gastos com cuidados de saúde deste ano são inferiores a 17 euros por habitante, enquanto um quarto das crianças na região tem níveis de peso abaixo da média nacional.

 

 

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