Ex-guarda nazi deportado para a Alemanha após viver 69 anos nos EUA

Governo norte-americano decidiu expulsar Jakiw Palij.
Por SÁBADO|21.08.18
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Os EUA prenderam e deportaram para a Alemanha Jakiw Palij, um antigo guarda do campo de concentração Trawniki, na Polónia, nos anos 40, conta a Sábado. Desde 2004 que as autoridades de imigração norte-americanas tentam extraditar o polaco, mas este foi recusado repetidamente pela Alemanha, Ucrânia e Polónia. Palij foi deportado esta terça-feira, depois de o governo alemão aceder ao pedido da Casa Branca. 

Palij, de 95 anos, chegou ao país europeu num avião militar no aeroporto de Düsseldorf e foi transportado para um lar de idosos, segundo o Frankfurter Allgemeine Zeitung. "Jakiv Palij mentiu sobre o seu passado nazi para imigrar para este país tornando-se um cidadão americano fraudulento", afirmou o procurador geral Jeff Sessions, citado pela ABC News.

"Hoje o departamento de Justiça ajudou a removê-lo com sucesso dos Estados Unidos como fizemos com outros 67 nazis no passado", declarou, dois anos depois de 29 membros da delegação de Nova Iorque no Congresso assinarem uma petição para expulsar o polaco do país.  

De acordo com a Casa Branca, o polaco trabalhou vários anos no campo de concentração como guarda entre 1941 e 1943. Neste campo, foram fuzilados no dia 3 de Novembro de 1943 cerca de 6.000 judeus - homens, mulheres e crianças. Por sua vez, o Departamento de Justiça norte-americano acredita que Palij desempenhou um cargo relevante no campo, embora este o tenha negado sempre.


Palij emigrou para os EUA em 1949 e garantiu que trabalhou numa quinta e numa fábrica na Polónia ocupada por nazis, apresentando-se como um "deslocado" – uma categoria de europeus que foram forçados a trabalhar para o regime nazi, segundo a agência Associated Press. Graças a esta mentira, o polaco foi aceite no país e obteve a cidadania norte-americana oito anos depois.

Em 1993, foi confrontado pela primeira vez com o seu papel em Trawniki pelo Departamento de Justiça. "Eu nunca teria recebido o meu visto de residência se tivesse dito a verdade. Todas as pessoas mentiram", terá dito quando funcionários do departamento o abordaram na sua casa em Queens, Nova Iorque, onde a sua presença nunca foi aceite pela comunidade judaica da zona.

A sua cidadania norte-americana foi revogada em 2003 por um juiz federal e a sua deportação ordenada em 2004, mas nenhum governo europeu quis aceitá-lo.

Pouco depois, o Departamento de Justiça acusou-o de ter praticado no campo de treino nazi SS (Schutzstaffel – "Tropa de Protecção" em Português). "Ao trabalhar como um guarda armada e ao prevenir a fuga de prisioneiros judeus durante o seu serviço Nazi, Palij desempenhou um papel indispensável ao garantir que as vítimas de Trawniki não escapariam ao seu destino horrível nas mãos dos Nazis", contou um funcionário da Casa Branca ao The New York Times.

Tendo em conta a sua idade avançada e a falta de provas que comprovem a extensão do seu envolvimento em Trawniki, não é claro que o governo alemão irá acusar Palij de crimes de guerra ou semelhantes.



Responsabilidade moral perante antigos Nazis
Heiko Maas, Ministro dos Negócios Estrangeiros alemão, frisou ao Frankfurter Allgemeine Zeitung durante uma visita ao campo de concentração Auschwitz que Alemanha, "cujas piores injustiças perpetradas pelos Nazis foram feitas em seu nome, tem de confrontar as suas obrigações morais".

O país europeu demarcou-se com os Julgamentos de Nuremberga, que condenaram líderes Nazis como Hermann Goering e Rudolf Hess, mas nas décadas de 1950 e 1960 poucos criminosos de guerra foram condenados. Entre 1945 e 2005, os tribunais alemães condenaram 6,656 Nazis no decorrer de 36,000 investigações e 170,000 suspeitos.

Nos EUA, os norte-americanos só tomaram consciência que cerca de 10,000 Nazis entraram no país na década de 70, defende o Haaretz. Desde então o governo instaurou 137 processos de suspeitos de crimes de guerra e 67 dos indivíduos dos processos foram deportados. John Demjanjuk, ucraniano residente em Ohio e guarda nazi, foi o último caso de deportação.

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