Lula da Silva diz em carta que governará ao lado de Fernando Haddad

Haddad é o novo candidato do PT à presidência no Brasil.

O ex-presidente brasileiro Lula da Silva, preso desde abril a cumprir pena de 12 anos e um mês por corrupção, afirmou em carta que estará e governará ao lado de Fernando Haddad, confirmado esta terça-feira para o substituir na disputa pelas presidenciais de outubro. A carta ao povo brasileiro, uma das três que Lula escreveu para a ocasião, foi lida num ato público em frente à sede da Polícia Federal em Curitiba, onde Lula está preso numa cela do quarto andar, naquele que foi o primeiro ato de Haddad já como candidato oficial do Partido dos Trabalhadores.

"Eu sei que um dia a verdadeira justiça será feita e será reconhecida a minha inocência. E nesse dia eu estarei junto com o Haddad para fazer o governo do povo e da esperança", escreveu o ex-presidente, que liderava as sondagens presidenciais com mais do dobro das intenções de voto do segundo colocado, Jair Bolsonaro, que agora lidera, mas teve a candidatura impugnada pelo Tribunal Superior Eleitoral por causa da condenação.

Em seguida, fiel ao cronograma que ele mesmo fez ao ser preso e perceber que dificilmente a sua candidatura seria validada, Lula tentou transferir ao menos parte da sua popularidade para o substituto, que anos atrás, sem parecer que Haddad tivesse o mínimo de probalidades, fez eleger autarca de São Paulo. Na carta, Lula da Silva pediu aos que o apoiam e iriam votar nele que agora votem em Haddad.

"Por isso, quero pedir, de coração, a todos que votariam em mim, que votem no companheiro Fernando Haddad para presidente da República", acrescentou Lula na missiva, voltando a repetir que a sua condenação, prisão e declaração de inegibilidade foram fruto de uma conspiração para o tirar da disputa presidencial, mas que através de Haddad as suas propostas serão colocadas em prática. "Nunca vou desistir deste país. Fui incluído artificialmente na lei da Ficha Limpa (que proíbe pessoas condenadas em segunda instância de disputarem cargos electivos) para ser arbitráriamente arrancado da disputa eleitoral, mas não deixarei que façam disso pretexto para aprisionarem o futuro do Brasil", diz. 

Esta terça-feira era o último dia do prazo dado pelo Tribunal Superior Eleitoral para o Partido dos Trabalhadores indicar um outro candidato presidencial em substituição de Lula, ou ficaria impedido de disputar a presidência. Ao início da tarde, em reunião também em Curitiba, a Comissão Executiva do PT aprovou por unanimidade o nome de Fernando Haddad para candidato presidencial em lugar de Lula e o anúncio foi feito horas depois em frente à prisão do antigo presidente, que provavelmente conseguiu ouvir todos os discursos e os gritos de apoio da multidão.

Político com pouco apelo popular, Fernando Haddad, que foi ministro da Educação no governo de Lula e agora era seu vice na lista, começou a campanha eleitorall, em 16 de Agosto, com ínfimos 2% das intenções de voto. Mas começou a subir assim que Lula começou a sinalizar que o tinha escolhido para seu substituto, e na sondagem eleitoral mais recente, divulgada ontem pelo Datafolha, Haddad já aparecia com 9% e tinha entrado no restrito grupo dos candidatos com possibilidades reais de passarem à segunda volta. 

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