Lula diz que querem fazer das presidenciais uma eleição de cartas marcadas

Ex-presidente brasileiro está detido desde abril.

O ex-presidente Lula da Silva, novamente candidato do Partido dos Trabalhadores à presidência do Brasil, afirmou que estão a tentar fazer das presidenciais do mês de Outubro uma eleição de cartas marcadas. Lula, que se referia ao facto de a sua candidatura muito provavelmente vir a ser impugnada, fez a afirmação em carta enviada à convenção nacional do partido, que o confirmou como candidato apesar de estar preso desde abril.

"Hoje a democracia brasileira está ameaçada. Agora querem fazer uma eleição presidencial de cartas marcadas, excluir o candidato que está à frente na preferência do eleitorado em todas as sondagens", declarou Lula na carta, lida pelo actor Sérgio Mamberti, bastante aplaudida.

Lula está preso numa cela da sede da Polícia Federal de Curitiba, no sul do Brasil, desde 7 de Abril, depois de ter sido condenado a nove anos e meio por corrupção pelo juiz Sérgio Moro em Julho de 2017 e de em Janeiro passado ter tido a condenação confirmada e a pena aumentada para 12 anos pelo Tribunal Regional Federal. Por causa desta segunda condenação, a segunda instância da justiça, Lula está teoricamente inelegível, mas o partido insiste na sua candidatura, argumentando que as condenações ao ex-presidente são ilegais, parte de uma conspiração das elites para o impedir de voltar a governar o Brasil.

"Já derrubaram uma presidente eleita, agora querem vetar o direito do povo de escolher livremente o seu próximo presidente, " continua Lula na sua missiva, referindo-se, no primeiro caso, à destituição da presidente Dilma Rousseff.

A decisão sobre o assunto só será conhecida depois do próximo dia 15, data limite para os candidatos registarem as suas candidaturas no TSE. 

Juristas especializados na área eleitoral contratados pelo Partido dos Trabalhadores concordaram, nos últimos dias, com Fux no que concerne a Lula estar inelegível, mas avançam que esse quadro é temporário, pode ser revertido e, por isso, o antigo presidente não pode ser impedido de disputar as presidenciais.

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