Lula mantém liderança nas presidenciais apesar de estar preso

Ex-presidente do Brasil é considerado ilegível para disputar o cargo.

A condenação a 12 anos e um mês de prisão por corrupção e a decisão, no passado dia sete de abril para começar a cumprir a pena, não afetaram a popularidade do ex-presidente Lula da Silva nem reduziram o seu potencial eleitorado.

Uma sondagem divulgada esta quinta-feira pelo Ibope, Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística, mostra que o antigo governante continua a liderar com bastante vantagem a corrida para as presidenciais de outubro.

Segundo o levantamento do Ibope, Lula, do Partido dos Trabalhadores (PT) tem 33% das intenções de voto, mais do dobro que o segundo colocado, o deputado Jair Bolsonaro, do Partido Social Liberal (PSL). Ainda mais longe do favorito Lula surge Marina Silva, do partido Rede Sustentabilidade, com 7%, e empatados com 4% o ex-ministro de Lula Ciro Gomes, do Partido Democrático Trabalhista (PDT) e o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin, do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB).

A percentagem de Lula manteve-se praticamente inalterada, revelando até uma ligeira subida em relação às sondagens anteriores, mesmo estando preso há quase três meses e apesar de muito provavelmente nem poder ser de facto candidato. O antigo chefe de Estado ficou inelegível após a sentença ter sido confirmada em janeiro por um tribunal de segunda instância.

Por esta razão o Partido dos Trabalhadores tem instaurado uma desgastante (para todas as partes) vaga de recursos na justiça, de forma a tentar que a condenação imposta inicialmente pelo juiz Sérgio Moro e depois confirmada pelo Tribunal Regional Federal da 4. Região, TRF-4, seja anulada, ou, ao menos, suspensa, até que o último dos recursos possíveis seja julgado no Supremo Tribunal Federal. Só se um desses recursos for aceite, e até agora todos têm sido repetidamente negados, é que Lula poderá registar a sua candidatura à presidência, e terá de o fazer no máximo até dia 15 de Agosto, prazo final para inscrição de candidatos.

Esta terça-feira, o ex-ministro-chefe de Lula, José Dirceu, condenado pelo mesmo tribunal a 30 anos e 9 meses de prisão também por corrupção, e que cumpria pena em Brasília, numa situação muito semelhante à de Lula ficou em liberdade após o Supremo Tribunal Federal ter reconhecido que este esse direito até serem esgotados todos os recursos à condenação. Parecia que o mesmo poderia acontecer com Lula, mas o relator do processo, juiz Edson Fachim, que há muito nega qualquer pedido dos advogados do ex-presidente, retirou inesperadamente o caso deste da ordem do dia da sessão que libertou Dirceu, mantendo o ex-presidente na prisão e tornando ainda mais ínfimas as suas probabilidades de disputar as presidenciais. 

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