Mais de 30 mortos em ataques nas últimas 24 horas no Mali

ONU deu dois meses aos signatários do acordo de paz de 2015 para manifestarem o seu compromisso.
Por Lusa|25.01.18
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Mais de 30 mortos em ataques nas últimas 24 horas no Mali
Foto Direitos Reservados

Mais de 30 pessoas, na maioria civis, foram mortas em ataques no Mali nas últimas 24 horas, numa altura em que a ONU deu dois meses aos signatários do acordo de paz de 2015 para manifestarem o seu compromisso.

A situação parece estar a agravar-se em particular no centro do Mali, junto às fronteiras do Burkina Faso e Níger, uma zona onde se concentram as primeiras operações da força conjunta do G5 Sahel, organização regional que integra estes três países, a Mauritânia e o Chade.

Esta quinta-feira, 25 civis, incluindo mulheres e crianças, foram mortos na explosão de uma mina à passagem do seu veículo, proveniente do Burkina Faso e que se dirigia ao mercado semanal de Boni, no centro do Mali, refere um último balanço.

Um responsável local afirmou que o veículo acionou uma mina a cerca de 10 quilómetros de Boni e que "ficou partido em dois" após a explosão.

Um responsável pelas forças de segurança malianas, citado pela agência noticiosa France-Presse, acusou "os terroristas que utilizam estas minas paria semear o terror".

Em 06 de novembro, cinco civis foram mortos quando o autocarro em os conduzia para uma feira semanal perto de Ansongo foi destruído por uma mina.

Em paralelo, o exército do Mali anunciou esta quinta-feira que matou cinco rebeldes e sofreu duas mortes em dois alegados ataques jihadistas no centro do país.

Um outro ataque, que segundo o exército não provocou vítimas, ocorreu no setor onde 33 polícias malianos desertaram na semana passada para se dirigirem à capital Bamako, onde foram detidos e intimados a comparecer perante um conselho de disciplina.

Num outro sinal de fricções no exército do Mali, um sargento foi preso esta semana no centro do país e transferido para Bamako, por ter publicado um vídeo no qual criticava a hierarquia militar e o governo do país.

Por sua vez, dois funcionários de alfândega malianos foram mortos na quarta-feira, cerca de 200 quilómetros a norte de Bamako.

Ainda na quarta-feira, o Conselho de Segurança da ONU exortou os signatários do acordo de paz de 2015 (governo e grupos armados) a retomarem a sua aplicação, sob pena de sanções.

Zonas inteiras do país continuam a escapar ao controlo das forças malianas e estrangeiras, regularmente visadas por ataques, apesar da assinatura do acordo, destinado a isolar em definitivo os ‘jihadistas’, mas cuja aplicação regista sucessivos atrasos.

No seu último relatório trimestral sobre este país do Sahel, o secretário-geral da ONU, António Guterres, considera a situação "extremamente preocupante" no norte e no centro, "em especial nas regiões de Mopti e de Ségou".

Nestas regiões, sublinha, ocorreram mais ataques terroristas ou ligados ao terrorismo do que no conjunto das outras cinco regiões do norte do Mali.

O norte do Mali foi tomado de assalto em março-abril de 2012 por grupos jihadistas ligados à Al-Qaeda.

Estes grupos foram atacados e perseguidos numa operação militar lançada em janeiro de 2013, por iniciativa da França. Esta operação ainda decorre.

Várias dezenas de militares portugueses – na sua maioria da Força Aérea – estão estacionados no Mali, no âmbito de operações das Nações Unidas e da União Europeia.

Os grupos jihadistas tem estado particularmente ativos no centro do Mali nos últimos meses, e este fenómeno está a alastrar aos países vizinhos, em particular no Burkina Faso e Níger.

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