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“Problema do desemprego já vem de longe”

Carlos Moedas afirma que desemprego teria aumentado mesmo com outras medidas.
20.03.13
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O desemprego é uma herança dos desequilíbrios estruturais da economia portuguesa e teria aumentado mesmo com caminhos alternativos aos adotados pelo atual Governo, afirmou esta quarta-feira Carlos Moedas.

Em declarações a jornalistas portugueses em Madrid, o secretário de Estado Adjunto do primeiro-ministro rejeitou, assim, que o aumento do desemprego seja uma consequência da aplicação do programa acordado com a 'troika'.

"Não estamos a criar um problema de 19% de desemprego. O problema de desemprego em Portugal é estrutural e já vem de longe. Poderíamos ter ido por outros caminhos (no programa de ajustamento), mas o desemprego estaria sempre lá porque estávamos numa situação de tal ordem difícil, que tivemos que pedir ajuda aos nossos credores", disse.

"Quando as economias estão desequilibradas para a equilibrarmos há desemprego que é criado. Infelizmente. Se tivermos uma solução mágica para o fazer de outra maneira sem desemprego usá-la-íamos", considerou.

Moedas afirmou que o programa de ajustamento tem várias variáveis e que algumas "estão a correr bem e outras não estão", mas insistiu que a nota é "positiva" porque o Governo conseguiu responder "ao maior problema" que era a "dependência da dívida externa", ajuste no qual Portugal "está à frente no programa".

O secretário de Estado falava aos jornalistas à margem de uma intervenção em Madrid num pequeno-almoço informativo, organizado pelo Nueva Economia Fórum, no qual defendeu as políticas adotadas pelo Governo e deu conta dos resultados da última avaliação da 'troika' (Fundo Monetário Internacional, Comissão Europeia e Banco Central Europeu).


Referindo-se aos resultados desse avaliação, Moedas disse que a 'troika' reconheceu a capacidade de cumprimento do Governo, o que permitiu conseguir mais flexibilidade nos prazos para cumprimento das metas de défice.

Especificamente sobre o desvio nas receitas previstas, Moedas considerou que se deve também ao aumento das exportações, o que levou à queda no IVA.

"A economia portuguesa estava muito baseada nos setores protegidos, internos, 'non tradable'. E durante muitos anos houve este desequilíbrio entre o setor exportador e o setor interno", disse, considerando que isso gerou uma "apreciação da taxa real, efetiva de câmbio" e "problemas de competitividade".

Agora, o aumento das exportações é "bom para a economia", mas prejudica as receitas do Estado porque não se paga IVA, disse.

Carlos Moedas considerou ainda que o efeito do programa de compra de títulos do BCE se começou a sentir, no caso de Portugal, quando já havia uma queda nos juros pagos pelo país pela sua dívida. "Há uma parte que é o efeito do BCE, muito bem vindo e parte da história, mas há a outra parte que é a credibilidade de Portugal, a credibilidade estrutural de Portugal que vem da sua capacidade de fazer reformas", disse.

Sobre os recursos no Tribunal Constitucional às contas públicas, Moedas disse que a intervenção dos tribunais é "normal" em democracia e que a sua decisão será sempre "respeitada pelo Governo".


Moedas foi questionado sobre as manifestações em Portugal e sobre as contestações ao atual executivo, e especificamente sobre a possível queda do executivo depois dos resultados da última avaliação da 'troika'.

Em resposta insistiu que, apesar das manifestações, a maioria da população portuguesa apoia o caminho que Portugal está a ter que fazer. "É natural que um país onde estamos a fazer sacrifícios tão grandes e em que o povo português está obviamente a sofrer por esses sacrifícios que as pessoas se manifestem, que tenhamos manifestações nas ruas. É saudável", disse.

"Mas a grande parte da população portuguesa está consciente de que Portugal já tentou outras soluções, passou anos a gastar para gerar crescimento e não houve crescimento. Há consciência de que este caminho tem que ser feito. Pode ser feito de formas diferentes mas tem que ser feito. Tenho a convicção pessoal que o povo português entende isso", considerou.

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1 Comentário
  • De Contribuinte20.03.13
    Só é preciso despedir na função pública porque apesar de ser preciso conter os gastos no estado, com a entrada deste governo continuaram a contratar pessoas e não foi a ganhar o SMN. Tem sido assim cada novo governo....
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