Procurador admite "possível envolvimento de polícias" na morte de Marielle Franco

Ativista, de 38 anos,"foi morta a tiros dentro de um carro".
16.03.18
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O coordenador criminal do Ministério Público Federal no Rio de Janeiro, o procurador José Maria Panoeiro, admite que é forte a possibilidade que o assassinato da activista e vereadora Marielle Franco, na noite de quarta-feira, tenha sido feito por "polícias ou agentes milicianos".

Marielle, de 38 anos, e que foi a quinta vereadora mais votada no Rio de Janeiro nas eleições de 2016, "foi morta a tiros dentro de um carro" conduzido por Anderson Pedro Gomes, que também foi baleado e morreu. Uma assessora da vereadora, eleita pelo Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), foi atingida por estilhaços e transportada para o hospital.

"A forma de organização do crime, o facto de a assessora não ter sido alvejada directamente e o facto de o motorista ter levado um tiro por tás demonstram um certo grau de planeamento [do ataque] que levam a colocar os polícias como suspeitos da prática do delito", explicou Panoeiro em declarações à BBC Brasil. Aos polícias, o responsável acrescentou a possibilidade de terem sido milícias a executar a morte. Estas, recordou, são normalmente constituídas principalmente por polícias militares, mas também por polícias civis, bombeiros e até integrantes das Forças Armadas.

Apesar de esta ser a principal linha de investigação, Panoeiro assume que todas as possibilidades estão em aberto, incluindo que se tenha tratado de uma acção de traficantes ou uma tentativa de assalto.

"Dentro de uma análise inicial, parece pouco provável que, por exemplo, traficantes de droga de uma determinada comunidade saíssem armados para perseguir o carro de uma vereadora que sai de um evento à noite na Lapa. Mas não se pode descartar essa possibilidade porque, quando é aberta uma investigação, não se pode descartar nenhuma hipótese", acrescentou.

Na mesma entrevista, o procurador considerou que "o ponto de partida" da investigação à morte de Marielle são as denúncias da vereadora à violência policial. "O que ela fez de diferente e que poderia incomodar as actuações expostas? É a questão da violência policial. Dos elementos disponíveis, tudo aponta para um possível envolvimento de policiais ou milicianos no crime", reforçou.

Ainda assim, Panoeiro acredita que a Polícia Civil e o Ministério Público Estadual do Rio de Janeiro têm independência para investigar o caso.

Milhares de pessoas saíram às ruas de todo o Brasil para homenagear a activista e veradora Marielle Franco, assassinada na noite de quarta-feira no Rio de Janeiro.

"Marielle presente" foi a palavra de ordem que acompanhou não só as cerimónias fúnebres – a política foi enterrada no Cemitério São Francisco Xavier, localizado no bairro do Caju -, mas também as concentrações realizadas em várias cidades brasileiras, como São Paulo, Brasília e Belo Horizonte.

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