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Sai mais um Pêra-Manca

O tinto afamado do Alentejo (de todo o país) foi lançado esta semana e está à venda a €200 por garrafa.
Por Edgardo Pacheco|10.11.17

Foi revelado esta semana mais uma edição daquele que é um dos mais icónicos vinhos portugueses: o Pêra-Manca tinto, neste caso da colheita de 2013. Em 27 anos (a aventura começou em 1990 com Colaço do Rosário) produziram-se apenas 14 colheitas, o que traduz o grau de exigência da equipa de enologia da Cartuxa (Fundação Eugénio de Almeida), hoje chefiada por Pedro Baptista.

O Pêra-Manca tinto não é só um grande vinho. É, em virtude da aura que o rodeou desde os anos 90, um objecto de desejo que fica muito bem a quem quer exibir poder e bom gosto. Basta referir que para esta colheita de 2013 os responsáveis da Cartuxa avançam com um preço de venda ao público de €200 por garrafa (valores apenas para início de lançamento, claro).

Feito com Trincadeira e Aragonês de vinhas com 35 anos, é um vinho que tem tanto de simplicidade como de sofisticação tecnológica. Se as uvas resultam de processos de produção biodinâmicos, a escolha dos bagos é feita por um sistema de seleção electrónico, que tem como função deixar entrar nos balseiros de fermentação de madeira apenas as uvas sãs. Uvas verdes, pouco maduras ou podres são rejeitadas. E isto faz muita diferença.

Depois da fermentação que decorre durante 35 a 40 dias, o vinho vai estagiar para uns famosos tonéis de 3 mil e 5 mil litros, onde ficará durante 18 meses. Por ter muita experiência nestes assuntos, Pedro Baptista já sabe, nesta fase, se está ou não perante um potencial Pêra-Manca (até antes), mas a verdade é que, depois do referido estágio nos tonéis, o vinho terá ainda de ganhar mistério e complexidade durante mais dois anos e meio em garrafa. Só então, quatro anos após a vindima, vai para o mercado.

Nesta colheita estamos, como de costume, perante um vinho que revela uma panóplia de frutos pretos à mistura com notas balsâmicas. Na boca, as notas inicialmente doces dão lugar a uma ligeira sensação vegetal. Tem boa estrutura, mas sempre com aquela típica suavidade dos tintos alentejanos.

Apesar de estar pronto para ser bebido, é evidente que com o tempo ganhará aromas e sabores complexos. Mas, lá está, vão vale a pena comprar um Pêra-Manca e guardá-lo para datas que, quando chegam, saltam logo para outras mais adiante. Todo o vinho fez-se para ser bebido e não para decorar a cave. Ainda mais quanto custa €200 por garrafa.

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