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Sondagem CM/Aximage: Cavaco reeleito à primeira volta

Se as eleições presidenciais fossem hoje Cavaco Silva seria reeleito com 57,1 por cento dos votos. Segundo uma sondagem CM/Aximage, o actual ocupante do Palácio de Belém conquista a intenção de votos não só à Direita mas também conquista votos na Esquerda.
08.01.11
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Sondagem CM/Aximage: Cavaco reeleito à primeira volta
Cavaco Silva reeleito à primeira volta Foto d.r.

Para além dos 58% de inquiridos que em 2009 deram o voto ao PSD e 33,2% do CDS que elegeriam Cavaco Silva há ainda 24,3% dos portugueses que são apoiantes da CDU e que votam agora no recandidato a Belém. No eleitorado PS, o actual Presidente da República consegue 35%, mais do que Manuel Alegre que é apoiado pelos socialistas e BE.

O candidato poeta surge em segundo lugar na intenção de voto dos portugueses com 20,8% dos inquiridos a admitirem votar em Manuel Alegre para a Presidência da República. Os bloquistas (36,7%) garantem uma maior base de apoio para a campanha do candidato do que o PS (27,5%)

Fernando Nobre consegue o terceiro lugar, com 8,7% das intenções de voto dos portugueses inquiridos, ficando à frente de candidatos com uma máquina partidária por trás, como é o caso de Francisco Lopes. O candidato apoiado pelo PCP não consegue inclusive bater o independente Defensor Moura (3,1%)

OPINIÃO DE JORGE DE SÁ

A actual  campanha eleitoral  irá constituir um caso futuro de estudo quanto à influência da comunicação política negativa no nosso país. 

É comumente aceite na comunidade científica que a negatividade das campanhas conduz a um aumento da abstenção eleitoral e ao aumento de uma visão mais cínica da política, afastando os cidadãos dos assuntos públicos (Ansolabehere, e Iyengar, 1995). 

Vários estudos demonstram  que  os recordes de abstenção, o cinismo e a maledicência com que muitos eleitores fustigam os políticos são consequências directas da comunicação política negativa, contribuindo para reforçar  um sentimento de desilusão e de descrença em todo o sistema democrático. 

O princípio em que se baseiam os defensores do recurso à comunicação política negativa assenta na crença de que o estímulo constituído por uma mensagem negativa pode despertar o eleitor mais facilmente do que uma mensagem positiva. 

A razão dessa maior capacidade da comunicação negativa em despertar os cidadãos que seguem em pilotagem automática reside no que os psicólogos sociais designam por vigilância automática, esta em estreita associação com o facto das mensagens negativas serem portadoras de informações sobre acontecimentos que são apresentados como praticados apesar dos seus intervenientes saberem que eles deveriam ser evitados. 

Numa aproximação psicanalítica, dir-se-ia que as mensagens negativas despertam muito mais rapidamente a acção do super ego, por se tratar de algo que nem sequer deveria ter acontecido por ser pessoal e/ou socialmente indesejável, pelo menos, no que diz respeito à sua exposição pública. 

Bernard Manin (1997) justifica a generalização das campanhas de comunicação política negativa pela personalização da política nas nossas sociedades, que o autor designa por democracia das audiências, cujo início coloca algures na década de 70 do século passado. 

Por exemplo, nas eleições para o Congresso norte-americano de 2000, o número de anúncios negativos ultrapassou os 150 mil, veiculados por 75 canais de televisão que cobrem cerca de 80% dos cidadãos norte-americanos (David Mark, 2007). 

Joseph Napolitan, o mais velho consultor em comunicação política ainda vivo, fundador da American Association of Political Consultants, refere que um candidato que vá à frente nunca deverá usar comunicação negativa e que, de um modo geral quem não tiver que fazer campanha negativa, que não a faça. 

Para além dos eventuais efeitos directos da comunicação política negativa sobre os eleitores, Sam Garret (2006) refere que há que ter em conta os efeitos indirectos que podem ser provocados por via de uma rotura estratégica na campanha adversária, ou seja, ao ser obrigado a defender-se, o candidato que sofreu o ataque perde o controlo da agenda, que passa a ser gerida de acordo com a iniciativa do adversário e não segundo o interesse do próprio candidato. 

Contudo, os efeitos da comunicação política negativa não são uniformes, uma vez que se demonstra que tais efeitos são condicionados pela forma como o conteúdo é expresso, pela substância desse mesmo conteúdo negativo da comunicação, pelo tom usado na comunicação, pela fonte da mensagem e pelas características dos eleitores que recebem essas mensagens negativas. 

No que diz respeito à campanha para as presidenciais os efeitos são já perceptíveis. 

Comparando com sondagens anteriores verifica-se que a intenção de voto em Cavaco Silva desceu, situando-se agora abaixo dos 60%. Esta descida é mais marcada ente os potenciais eleitores de Cavaco que revelam uma maior propensão para a abstenção e entre os eleitores que votaram no PSD em 2009. 

A associação entre a campanha negativa e a intenção de voto em Cavaco, que não pode, de per si, estabelecer-se como uma relação causal, revela uma maior descida da intenção de votar Cavaco (que, mesmo assim, será provavelmente eleito na primeira volta) em segmentos como os do litoral centro-sul, nos meios urbanos, abaixo dos 45 anos, nos profissionalmente activos, com destaque para os quadros e empregados, e nos que ultrapassaram a escolaridade obrigatória. 

Como se lê na sondagem CM/Aximage, neste mês de Janeiro foi interrompida a subida contínua que a popularidade de Cavaco conhecia desde Julho, situando-se agora no patamar dos seus níveis mais baixos (13,1em 20 valores). 

Há uma pergunta que se coloca de imediato: a quem aproveita a descida de Cavaco? 

Por o que se pode concluir das sondagens, essa descida não aproveita de forma clara aos demais concorrentes. Actualmente, nos segmentos que parecem mais sensíveis à campanha negativa verifica-se sobretudo um aumento da intenção de abstenção e da indecisão, o que poderá corresponder a uma fase de confusão nalguns eleitores de Cavaco, à qual se seguirá uma decisão eleitoral, primeiro de ir ou não votar e depois de manter ou alterar a intenção de voto inicial.

Não é, portanto, de estranhar o apelo de Cavaco à mobilização eleitoral dos seus potenciais apoiantes e a continuação da campanha negativa para os desmotivar e, eventualmente cativar, por parte dos demais concorrentes.

FICHA TÉCNICA

Universo: indivíduos inscritos nos cadernos eleitorais em Portugal com telefone fixo no lar ou possuidor de telemóvel.
Amostra: aleatória e estratificada (região, habitat, sexo, idade, escolaridade, actividade e voto legislativo) e representativa do universo e foi extraída de um sub-universo obtido de forma idêntica. A amostra teve 600 entrevistas efectivas: 291 a homens e 309 a mulheres; 151 no interior, 211 no litoral norte e 238 no litoral centro sul; 150 em aldeias, 214 em vilas e 236 em cidades.                       proporcionalidade pelas variáveis de estratificação é obtida após reequilibragem amostral.
Técnica: Entrevista telefónica por C.A.T.I., tendo o trabalho de campo decorrido entre os dias 3 e 6 de Janeiro de 2011, com uma taxa de resposta de 74,3%.
Erro probabilístico: Para o total de uma amostra aleatória simples com 600 entrevistas, o desvio padrão máximo de uma proporção é 0,020 (ou seja, uma margem de erro - a 95% - de 4,0%).
Responsabilidade do estudo: Aximage Comunicação e Imagem Lda., sob a direcção técnica de Jorge de Sá e de João Queiroz.

 

 

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