Sucessão de erros faz quatro mortos no mar na Figueira da Foz

Causas foram manobra errada, falta de estabilidade e portas abertas, que provocaram alagamento.
Por Sérgio A. Vitorino|27.08.18
Uma manobra errada na recolha da rede de pesca, o não fecho de várias portas do barco - prejudicando a estanquidade - e alterações não aprovadas que tiraram a estabilidade do arrastão, foram as causas do naufrágio do ‘Veneza’ na madrugada de 29 de novembro de 2017. O acidente, a 20 km ao largo da Figueira da Foz, provocou quatro mortos. O corpo de um deles, o mestre Orlando Fonseca, ainda não foi encontrado.

As conclusões são do Gabinete de Investigação de Acidentes Marítimos. No relatório, a que o CM teve acesso, são descritas as manobras de arrasto até ao alerta automático de naufrágio às 04h15. "O afundamento foi repentino pois a tripulação não teve tempo de envergar os coletes e nem de pedir socorro", descreve. Um dos quatro tripulantes estava embarcado apenas como observador.

Na faina perdeu uma porta de arrasto e estava a alar a rede com a grua a estibordo (direita) quando o normal seria na popa (atrás). O peso da rede e o mar a bater a bombordo terão feito com que o arrastão adornasse e a água entrasse por estibordo. Rapidamente foi inundado devido ao facto de as portas da casa do leme, acesso ao porão e interior da embarcação estarem abertas. É referido um cabo preso na hélice e veio "durante a descida da embarcação até ao fundo ou durante a manobra de recolha".

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