Supremo Tribunal autoriza polícia a cruzar dados de investigação contra Temer

Decisão foi do juiz Luís Roberto Barroso, responsável do processo contra o presidente brasileiro.

A Polícia Federal brasileira (PF) tem a partir de agora uma nova e importante ferramenta para avançar nas duas investigações que tem em mãos contra o presidente Michel Temer por suspeita de corrupção. A PF foi autorizada a ter acesso e a cruzar os dados recolhidos por equipas diferentes nas duas ações em que o chefe de Estado brasileiro é suspeito de diversas irregularidades praticadas antes e depois de assumir a chefia do Estado.

A decisão foi do juiz Luís Roberto Barroso, responsável do processo contra Temer no Supremo Tribunal por suspeita de que o governante tenha assinado prescrições para favorecer empresas da área portuária que, em troca, pagaram "luvas" milionárias. Pela decisão de Barroso, a equipa da Polícia Federal que apura essa suspeita pode ter igualmente acesso ao outro processo ainda a decorrer contra o presidente, o que investiga o pedido e o receber de "luvas" por Michel Temer à construtora Odebrecht quando ele ainda era vice-presidente de Dilma Rousseff.

Nesse inquérito, ex-diretores da Odebrecht que passaram a colaborar com a justiça denunciaram que o então vice-presidente do Brasil, que procurou destituir Dilma e lhe sucedeu em 2016, pediu ao então presidente da construtora, Marcelo Odebrecht, milhões de euros para supostamente financiar campanhas eleitorais de aliados.

O dinheiro, de acordo com os colaboradores da justiça, foi pedido pessoalmente por Temer a Marcelo num jantar no palácio da vice-presidência, em Brasília, em 2014, e foi pago pela construtora. Parte desse dinheiro, sustentam os responsáveis pela investigação, foi parar nas contas pessoais do próprio presidente através de amigos que, ainda de acordo com a Polícia Federal, atuavam como seus "testas de ferro".

Em 2017, Michel Temer foi alvo de duas denúncias formais por corrupção apresentadas pela Procuradoria-Geral da República, também depois de investigações levadas a cabo pela Polícia Federal e pelo Ministério Público. No entanto, o Congresso, a quem cabe autorizar ou vetar a ida do chefe de Estado a julgamento, travou ambas as denúncias, depois de Temer disponibilizar milhares de milhões de euros dos cofres públicos para projetos e obras de parlamentares.
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