Venezuela diz ter estabelecido "conexões" internacionais do ataque a Maduro

Implicados no ataque estão acusados de "traição à pátria, terrorismo, associação criminosa e financiamento de terrorismo".
07.08.18
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O Ministério Público venezuelano anunciou que já estão detidos os autores materiais do atentado de sábado contra o presidente, Nicolás Maduro, e que foram estabelecidas as "conexões" internacionais com Miami, nos EUA, e com a Colômbia. Oficialmente, estão detidas seis pessoas.

O anúncio foi feito pelo procurador-geral designado pela Assembleia Constituinte, Tarek William Saab, durante uma conferência de imprensa em Caracas, esta segunda-feira à noite.

"Estão identificados todos os autores materiais do facto [atentado] e seus colaboradores imediatos. Também se estabeleceu o sítio onde se alojaram em dias prévios à tentativa de magnicídio", disse.

O magistrado explicou ainda que os implicados no ataque que Caracas apelidou de golpe de estado estão acusados de "traição à pátria, terrorismo, associação criminosa e financiamento de terrorismo". "Parece que há um sector que não entende que a Venezuela deseja paz e quer resolver os seus problemas de forma pacífica", rematou, defendendo que o incidente de sábado não é um caso isolado.

Segunda-feira, funcionários do Serviço Bolivariano de Inteligência evacuaram o Hotel Pestana Caracas, propriedade de empresários portugueses, tendo restringido o acesso ao local. Segundo fontes não oficiais, terão sido detidas pelo menos duas pessoas no hotel.

Sábado, duas explosões que as autoridades dizem ter sido provocadas por dois drones obrigaram o presidente da Venezuela a abandonar rapidamente uma cerimónia de celebração do 81.º aniversário da Guarda Nacional Bolivariana, a polícia militar do país. Sete militares ficaram feridos.

O acto, que decorria na Avenida Bolívar de Caracas (centro), estava a ser transmitido em simultâneo pelas rádios e televisões venezuelanas. No momento em que Nicolás Maduro anunciava que tinha chegado a hora da recuperação económica ouviu-se uma das explosões, que fez inclusive vibrar a câmara que focava o chefe de Estado. Nesse instante, a mulher do presidente venezuelano, Cília Flores, e o próprio chefe de Estado olharam para cima. Antes da televisão venezuelana suspender a transmissão foi possível ainda ver o momento em que militares rompiam a formação.

Maduro acusou directamente o seu homólogo colombiano, Juan Manuel Santos, pelo atentado, envolvimento que a Colômbia desmente. Segundo Maduro está ainda envolvida a extrema-direita venezuelana, em coordenação com opositores radicados em Miami, EUA. Agora, o Ministério Público venezuelano corroborou essas indicações.

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