CM Não Esquece
Conferência CM sobre incêndios florestais: "Nem mais uma morte"

Conferência CM sobre incêndios florestais: "Nem mais uma morte"

Fogos que mataram 115 pessoas foram alvo de análise na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro.

"Não aceitamos nem mais uma morte por incúria das pessoas responsáveis", disse Octávio Ribeiro, diretor-geral do CM e da CMTV, na primeira conferência ‘CM Não Esquece! Juntos Contra os Incêndios’, realizada ontem na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, em Vila Real.

A falta de prevenção de incêndios, as falhas no combate, o desordenamento do território e a ausência de investimento e defesa da floresta foram causas apontadas para os fogos florestais que causaram a morte de 115 pessoas e a destruição de mais de 1500 habitações e empresas em 2017. Mas existe uma causa mais profunda. "A baixa natalidade, tsunami silencioso que há muitos anos atinge o nosso País, desertificou um Interior cada vez mais esquecido pelo poder central. São necessárias respostas estruturais para proteger o interior do flagelo das chamas", disse Octávio Ribeiro.

Fontainhas Fernandes, reitor da UTAD, elogiou a iniciativa e realçou que o problema resulta "de políticas de um País que vive em duas realidades distintas". "Portugal é um país assimétrico em que o Interior é claramente prejudicado", disse, reconhecendo "uma clara falta de aposta na inovação e investigação para a defesa da floresta e prevenção dos incêndios".

Já Domingos Lopes, diretor do Departamento de Ciências Florestais e Arquitetura Paisagística da UTAD, reforçou a importância da floresta no bem-estar. "A qualidade de vida nas cidades depende e muito da floresta e das potencialidades do mundo rural. A floresta tem sido olhada apenas de fora e para intervir a sério no setor florestal tem de se sair da estrada e entrar dentro dele", explicou o especialista, "frustrado e desolado" com o que aconteceu em 2017.

PORMENORES
Moção para subscrever
Quem quiser subscrever a moção ‘CM Não Esquece! Juntos Contra os Incêndios’, que será entregue na Assembleia da República, pode fazê-lo na sede e delegações do CM/CMTV e locais das conferências.

Próxima em Braga
A próxima conferência ‘CM Não Esquece!’ é amanhã no Theatro Circo de Braga, às 15h00. A psicóloga Joana Amaral Dias, o edil de Braga, Ricardo Rio, e Armando Esteves Pereira, diretor-geral adjunto CM/CMTV, estarão com Francisco Penim.

Investigação necessária
Na conferência na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro ficou bem claro que a comunidade científica tem de ser chamada a ajudar a resolver o problema do desordenamento da floresta e da falta de prevenção dos incêndios florestais.

Equipar o GIPS custa 5,3 milhões ao Governo 
Apenas estão operacionais 13 dos 32 meios aéreos previstos para a fase de combate aos fogos que ontem começou. Outros 28 ‘hélis’ e 12 aviões foram assegurados pelo Governo. O primeiro-ministro, António Costa, diz que as negociações estão concluídas e que foi preciso gastar 5,3 milhões de euros para equipar os novos 390 elementos do Grupo de Intervenção de Proteção e Socorro que ainda esperam pelo equipamento. Apenas a burocracia parece estar a atrasar o processo.

"Em caso de necessidade e urgência, os meios podem operar no calendário previsto, ainda que não tenham o visto [do Tribunal de Contas]. A contratação pública tem uma carga burocrática elevada, tem vicissitudes, mas todo o equipamento vai chegando e sendo entregue", disse o primeiro-ministro, após presidir à cerimónia de imposição de boinas dos novos militares do GIPS, que se juntam a uma centena de outros alvo de uma reciclagem. A força passa agora a contar com 1029 elementos prontos a combater fogos. António Costa diz que estes não irão para o terreno "sem o equipamento necessário".

Para equipar estes novos elementos do GIPS, o Governo gastou cerca de 5,3 milhões de euros: cinco milhões para viaturas e equipamentos e 290 mil euros para fardas e equipamentos de proteção individual.
Os novos elementos do GIPS – após seis semanas de formação – iniciam agora um estágio de um mês nos 38 centros de meios aéreos do País. O GIPS está agora representado em todos os distritos de Portugal continental – estava apenas em 11 – e na Madeira. António Costa foi brindado no final da cerimónia com uma demonstração dos GIPS a combater um fogo.