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“O fogo deixou-me sem poder trazer o meu filho”

“O fogo deixou-me sem poder trazer o meu filho”

Vítimas dos incêndios de outubro sem dinheiro para pagar transladação do corpo do filho que morreu em Londres.

Um casal de Carregal do Sal que ficou sem nada durante os incêndios de outubro do ano passado - sofreram prejuízos na ordem dos 200 mil euros - está sem dinheiro para pagar a transladação do corpo do filho, de 37 anos, que morreu na semana passada em Londres. Desesperados, pai e mãe pedem ajuda e já contam com a união da população, que está a recolher fundos para angariar 10 mil euros – o custo da transladação.

"Estamos desesperados porque não temos dinheiro e queria muito ir buscar o corpo do meu filho", diz António Pereira, de 60 anos, salientando que ficou "sem dinheiro para fazer face às despesas básicas depois do fogo". O filho, Nuno Pereira, de 37 anos, estava emigrado em Londres há seis anos e morreu vítima de doença prolongada.

O corpo está num hospital à espera que a família resolva o processo burocrático com vista à transladação. Em Beijós, a população uniu-se e está a fazer um peditório para juntar dinheiro. "É o que me resta, um grupo de amigos e de pessoas que estão a tentar ajudar-nos. É tudo muito triste", diz o pai.

Chamas destruíram produtos e alfaias    
António Pereira e a mulher, que tem problemas de saúde, exploravam uma quinta agrícola na periferia da aldeia de Beijós. O fogo destruiu barracões, matou animais e também consumiu produtos agrícolas.

"Ficámos sem nada. Ardeu também um trator com 500 cavalos que tinha poucas horas de trabalho e toda a logística de apoio ao trabalho da agricultura", descreve o lesado, que "ainda só" recebeu o apoio de 5 mil euros.