CM Não Esquece
Pior dos incêndios ainda está por vir

Pior dos incêndios ainda está por vir

Secretário de Estado das Florestas faz balanço positivo da limpeza dos terrenos mas diz que "o ano ainda poderá ser muito difícil".

Até ao momento, já foram limpos 2746 hectares de áreas públicas prioritárias - matas e perímetros florestais. O Estado ultrapassou a meta inicial de 1600 hectares, mas considera que ainda há muito trabalho a fazer: "Não podemos dizer que está tudo limpo. O esforço não pode parar e o mais difícil ainda está por vir. Devemos estar preparados e atentos porque o ano ainda poderá ser muito difícil", referiu ao CM o secretário de Estado das Florestas e do Desenvolvimento Rural, Miguel Freitas, referindo-se ao previsível calor de agosto.
Pior dos incêndios ainda está por vir

Depois de um verão traumático no ano passado - com 116 mortos -, muitos proprietários não aproveitaram as tréguas do clima para continuarem o esforço de limpeza dos terrenos, conforme constatou o CM com vários exemplos de norte a sul do País. Para o Governo este foi o maior esforço de prevenção dos últimos dez anos. "Os proprietários e o Estado fizeram um grande esforço mas isso não chega. A GNR precisa de continuar a espalhar a mensagem e quem não cumpre deve ser penalizado", alertou o governante. Foram também já intervencionados 119 quilómetros em rede primária de Defesa da Floresta Contra Incêndios e 803 quilómetros de beneficiação de caminhos públicos florestais.

Quanto aos proprietários que não fizerem voluntariamente a limpeza dos seus terrenos, estão sujeitos a multas que variam entre os 250 e os 120 mil euros. Em caso de incumprimento são os respetivos municípios que se podem substituir ao proprietário na limpeza dos terrenos.

"Os que deveriam dar o exemplo não limpam"
"Os que deveriam dar o exemplo, as instituições públicas, não limpam. Como querem que os outros o façam?", questiona Ângelo Raposo, perante as bermas com mato e silvas na estrada de acesso a Vale de Açor, Miranda do Corvo. No distrito de Coimbra há ainda muito trabalho por fazer, mesmo nas zonas afetadas pelos fogos.

"A vegetação cresceu e as árvores como não foram cortadas começam a cair, algumas para as estradas, pondo em perigo os condutores. Isto é um barril de pólvora", teme Eduardo Pereira, de Oliveira do Hospital.