A VOZ QUE VEIO DO GELO PARA O SONS EM TRÂNSITO

Mari Boine é um nome incontornável da 'world music', um ícone do canto 'joik', um símbolo das tradições do povo da Lapónia.
02.12.03
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A sua voz, tal como a música, é introspectiva, meditativa, carregada de espiritualidade. É hipnótica ao ponto de fazer cerrar os olhos. É música que vem do Árctico, marcada pelos contrastes de quem vive dois meses na total penumbra e outros dois em plena luz.
Entre letras ancestrais que evocam a natureza, divindades e xamãs, Mari Boine fez, no último espectáculo do II Festival de Músicas do Mundo de Aveiro, o Sons em Trânsito, com que se erguesse bem alto a história da Lapónia e a bandeira da cultura sami - povo indígena do Norte da península escandinava.
Com a voz a soar como um suspiro, um sopro de ar puro, uma bola de neve agarrada a pedaços de electrónica, a um baixo, uma guitarra - por vezes tocada com um arco de violino - um saxofone ou uma flauta peruana, o espectáculo teve ainda o condão de nos ensinar pedaços da vida de um mal conhecido povo rico em tradições.
No final do concerto, alguns ainda subiram ao primeiro andar do Teatro Aveirense para assistirem a uma 'world music DJ session'.
Na memória ficarão dois fins-de--semana de um louvável e bem sucedido evento que se aventurou por línguas exóticas, onde o rústico se fundiu com o cosmopolita e se derrubaram fronteiras e dogmas.
Os pontos altos estiveram a cargo dos festivos Ojos de Brujo, do delirante Kimmo Pohjonen e dos judeus The Klezmatics. Para o ano, está prometida a III edição.

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