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Casa cobiçada por Madonna em Lisboa já foi uma embaixada

Palacete vale 7,5 milhões de euros.
Por José Carlos Marques|15.09.17

A guerra era lá longe, no distante Médio Oriente, mas os moradores do bairro da Lapa, em Lisboa sentiram na pele as suas consequências. De repente, a partir da primavera de 2003 as pacatas ruas de São Francisco de Borja e a rua Arriaga foram tomadas por agentes da polícia, armados com metralhadoras. Noite e dia, as ruas passaram a ser patrulhadas por dezenas de agentes. A explicação para o aparato era simples. Pouco mais de 10 metros separavam o palace da Embaixada do Iraque, na rua Arriaga, da residência do embaixador inglês, na esquina da Arriaga com a São Francisco de Borja. Quando as forças da coligação liderada pelos americanos invadiram o Iraque, o reforço policial foi imediato. E durou vários meses, até os agentes se retirarem, em paz.

Mais de 14 anos depois, muito mudou naquele bairro. Para começar, os ingleses retiraram-se. Depois de mais de 150 anos no edifício que foi embaixada e depois residência do embaixador britânico, os diplomatas britânicos mudaram-se para outro palacete, na mesma freguesia da Estrela. O casarão ao serviço de Sua Majestade, com um jardim que ocupava metade do quarteirão, foi vendido em 2007 e convertido em várias moradias de luxo. Uma delas, avaliada em 7,5 milhões de euros, é agora cobiçada por uma outra rainha: Madonna, a monarca da Pop.

Madonna mantém-se firme na decisão de comprar uma casa em Lisboa e, garante o Daily Mail, visitou uma das casas mais distintas de um dos bairros mais ricos de Lisboa – a Lapa, onde funcionam embaixadas e residências de embaixadores de vários países.

Pois a casa que a cantora americana namora é precisamente aquela que serviu como embaixada e depois a residência do embaixador britânico em Portugal. Um palacete que remonta à época pombalina, cujas paredes guardam muitas histórias e segredos.

No site ‘Room for Diplomacy’, que lista as propriedades da diplomacia britânica em todo o mundo, conta-se a história do edifício, construído ao estilo pombalino, depois do terramoto de 1755.

Propriedade do Conde Redondo, o imóvel foi vendido ao eminente filósofo e escritor Matias Aires Ramos da Silva d’Eça Lorde, em meados do século XVIII. Este construiu ali uma casa rudimentar a que chamava ‘a barraca’, mas a propriedade viria a ser vendida a outra família de condes, os Rio Maior, após a sua morte. São estes que constroem o palacete de estilo pombalino que o diplomata britânico Howard de Walden viria a arrendar para sua residência, em 1833.

A casa e os terrenos em volta foram depois comprados pela coroa britânica e ali foi instalada a embaixada do país em Portugal. Numa edição da Revista Municipal da Câmara de Lisboa, de 1940, lê-se um lisonjeiro texto sobre a propriedade.  "Tanto a casa como o jardim foram cenário de muitas receções brilhantes sob a bandeira inglesa. Os mais velhos residentes em Lisboa recordam, particularmente o baile dado em honra do Sua Majestade, o falecido rei D. Manuel [o último rei de Portugal]"

A sede da legação durou até 1940, quando Lisboa se tornou o epicentro da espionagem durante a II Guerra Mundial. O espaço tornou-se exíguo para a quantidade de pessoal colocada em Lisboa e a embaixada mudou-se para o Palácio de Porto Covo, na rua de São Domingos à Lapa. A casa da Rua São Francisco de Borja retomou então as funções de residência do embaixador.

Ao longo dos anos, a propriedade recebeu diversas alterações. Salas e salões foram sendo sucessivamente remodelados até que, no final da década de 2000, o Foreing and Commonwealth Office chegou à conclusão que seria demasiado oneroso fazer as obras de manutenção que se exigiam.  Foi então vendida, em 2007, e convertida num condomínio de luxo, com vários apartamentos.

Mesmo em frente à casa cobiçada pela estrela americana, a embaixada do Iraque ainda ali se mantém.

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