UM ANO DE SAUDADE

Camacho Costa foi a enterrar faz amanhã um ano. No funeral, centenas de pessoas não contiveram a emoção e a ovação de aplausos – muitos – foi ruidosa. O actor faleceu a 28 de Fevereiro de 2003, aos 57 anos, vítima de cancro no pulmão. Na memória de todos mantém-se, para além de muitos dos seus personagens, a forma positiva como encarou a dura batalha pela vida, durante os últimos meses que antecederam a ‘descida do pano’.
01.03.04
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Fumador de dois maços de tabaco diários, Camacho não perdeu a força e animação que o caracterizavam, mantendo-se firme nas actuações divertidas em ‘Os Malucos do Riso’, ‘SIC 10 Horas’ e ‘Não Há Pai’ (o último trabalho na TV).
Um ano depois, continua vivo na memória e no pequeno ecrã. Diariamente, na SIC, a série ‘Os Malucos do Riso’ traz de volta os caricatos personagens interpretados por Camacho, como o alentejano ‘Cassildo’, o merceeiro ‘André’ e o cigano ‘Lelo’. Uma homenagem ao saudoso actor, como confirma o director de programas da estação de Carnaxide, Manuel Fonseca: “Temos muitas saudades mas tentámos aliviar a sua ausência mantendo-o vivo, como possível, ao longo de um ano n'Os Malucos do Riso”. Da mesma forma, a SIC tem vindo a exibir separadores que antecedem a série humorística, para “assinalar a data, sem explorações".
Maria Ruas, viúva do actor, já viu esses mesmos separadores e corrobora a postura da SIC. “É uma continuação do que se tem feito ao longo do ano”, resume, escusando--se a mais comentários por se tratar de um assunto “muito pessoal.” De facto, para a família do actor não será fácil ‘conviver’ com a imagem tão presente do familiar, durante os ‘longos’ minutos que recordam as melhores prestações de Camacho Costa na série que mais o celebrizou.
Mas José Militão Camacho Costa, nem sempre foi actor. Antes da estreia em revista, e de mais de 20 produções no Parque Mayer, foi jornalista, professor e crítico de cinema, uma actividade que o levou a privar com Manuel Fonseca. “O relacionamento e amizade vinham de longe e foram reforçados nos dois últimos anos de vida do Camacho, com o seu inestimável contributo para que a SIC superasse a crise que atravessou na altura”, recorda o director de programas da SIC.
Uma crise ultrapassada, a avaliar pelas actuais audiências de ‘Os Malucos do Riso’, que, além de ter lugar cativo no ‘top’ dos mais vistos do dia, não raras vezes, atinge mesmo a liderança. A provar que os portugueses gostam de ver – e rever – Camacho Costa e a ‘sua’ equipa...
AMIGOS SAUDOSOS
MAYA - TARÓLOGA
Colega do ‘SIC 10 Horas’ e amiga pessoal de Camacho Costa, a taróloga Maya privou com o actor nos seus últimos momentos de vida e diz que “todos os dias sinto a falta” do actor, que foi sempre um “amigo presente”.
“O sentido de humor e irreverência deste grande homem ensinou-nos bastante. Sinto muito a falta de falar com ele sobre os meus problemas”, frisa, acrescentando que “onde quer que ele está continua a deitar um olhinho cá para baixo”.
HERMAN JOSÉ - HUMORISTA
O humorista e apresentador Herman José, que recebeu Camacho Costa no seu ‘Herman SIC’ antes do famigerado actor ser internado no Hospital Pulido Valente – donde não mais saiu –, acredita que Camacho nunca será esquecido. “A vantagem da nossa profissão é que, como ele tem estado sempre no ar, é como se não tivesse morrido, como aconteceu com o António Silva e o Vasco Santana. É, sem dúvida, uma forma de eternizá-lo”, afirma.

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