Duplo golpe de Machado

Rui Machado quedou-se pela eliminatória inaugural do mais famoso torneio de ténis do mundo. Na sua estreia absoluta em Wimbledon, perdeu com o americano Brian Baker por 7-6, 6-4 e 6-0 – e horas depois ficou a saber que não regressará este ano à relva do All England Club para competir nos Jogos Olímpicos.
26.06.12
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Duplo golpe de Machado
Rui Machado Foto d.r.

Já se antecipava que a missão de Rui Machado seria complicada diante de um adversário em fase ascendente – e tanto a menor apetência do algarvio para as superfícies mais rápidas como a falta de ritmo competitivo devido aos problemas físicos que o têm afectado recentemente foram bem evidentes no seu desaire por 7-6, 6-4 e 6-0 diante de Brian Baker.

Os parciais decrescentes indicam também a crescente desenvoltura do yankee (126º ATP) em paralelo com o desânimo do algarvio (94º) face ao rumo dos acontecimentos no court 16 do All England Club. É que o primeiro e único break-point da primeira partida foi precisamente para Machado, aos 4-4, no decurso de um longo jogo de serviço que o tenista dos Estados Unidos resgatou a custo. Depois, no tie-break, o americano impôs-se claramente por 7/2 e logrou quebrar o serviço ao português aos 1-1 do segundo set; a partir daí, bastou-lhe gerir a vantagem e descolar ainda mais visivelmente no marcador ao longo do terceiro set.

Horas depois, Rui Machado ficou também a saber que o pedido do Comité Olímpico Português e da Federação Portuguesa de Ténis para um wild card para o torneio olímpico – que se joga precisamente em Wimbledon dentro de um mês – não foi coroado de êxito. Foi um dia duplamente frustrante.


CIRURGIA AMBULANTE

Brian Baker tem sido um dos grandes protagonistas do circuito masculino devido a uma notável história de superação que o transformou num fenómeno mediático: foi um júnior de destaque a nível mundial, mas na transição para o profissionalismo coleccionou lesões consecutivas que lhe minaram a carreira e o forçaram a cinco (!) intervenções cirúrgicas. Até que o ano passado tentou novamente a sua sorte e o seu regresso ao circuito correu muito melhor do que o esperado – começou por rubricar bons resultados em provas menores e, subitamente, ultrapassou o qualifying para atingir a final do torneio ATP de Nice na semana anterior a Roland Garros, depois atingiu a segunda ronda do Grand Slam parisiense e em Wimbledon ultrapassou incólume a fase de qualificação para vitimar Rui Machado na eliminatória inaugural do quadro principal.

“Sabia que seria difícil porque ele vinha com rodagem do qualifying”, reconheceu o português; “tive oportunidades no primeiro set de fazer o break, mas faltou-me a habituação ao piso e no break-point a bola não teve o ressalto que esperava”. O actual número um nacional no ranking ATP reconheceu ainda que não está na sua melhor forma: “A minha performance reflectiu a falta de preparação que tive por ter estado parado por causa do joelho e fisicamente fui-me abaixo. Não senti dores no joelho, mas a relva é uma superfície diferente que solicita outros músculos. Vou voltar a Lisboa para reavaliar a situação do joelho e se estiver bem vou jogar depois o Challenger de Braunschweig e os torneios ATP de Umag e Gstaad”. Tal como Brian Baker, também Rui Machado é uma espécie de miraculado, já que esteve um total de dois anos fora do circuito: teve um grave acidente de mota na sua juventude, depois problemas sérios no joelho e no pulso que travaram a progressão natural da sua carreira.

“Sabia que ele não tem o hábito de jogar na relva, já que costuma jogar mais em terra batida e pisos mais lentos”, confessou o americano; “sabia que ele iria ficar mais no fundo do court e trabalhar mais o ponto com longas jogadas, por isso tive de ser paciente e ser agressivo no momento certo. Não respondi bem ao serviço no primeiro set e ele também me surpreendeu ao arriscar nos segundos serviços. Foi fundamental ter ganho o tie-break do primeiro set a partir daí não só relaxei como comecei a acertar mais”.


PORTURRUSSA EM SUSPENSO

Rui Machado despede-se de Wimbledon com 18.125 euros pela derrota na primeira ronda de singulares e a certeza de que não regressará para o torneio olímpico. Já a outra referência portuguesa em destaque na jornada de terça-feira (para além dos árbitros internacionais Carlos Ramos e Mariana Alves), que ainda não está propriamente nacionalizada, sobreviveu a match-points antes de a chuva adiar a conclusão do seu encontro para esta quarta-feira: Nina Bratchikova, russa radicada em Portugal há vários anos e noiva do seu técnico luso Pedro Pereira, esteve a perder por 6-0 e 5-4 diante da francesa Alizé Cornet mas conseguiu esconjurar a derrota e empatar o segundo. A suspensão surgiu aos 5-5.

Logo após a sua participação em Wimbledon tanto nos singulares como nos pares, a ‘porturrussa’ regressa ao seu país natal para tratar da papelada que lhe permitirá depois contrair matrimónio e tornar-se na número um portuguesa, à frente de Michelle Larcher de Brito.

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