Federer coroado de novo

Mais de dois anos e meio após o anterior título do Grand Slam, Roger Federer ganhou o seu 17º troféu maior e não só igualou as sete vitórias de Pete Sampras em Wimbledon como o seu regresso à liderança do ranking lhe permite estabelecer mais um marco histórico. Andy Murray também fez história e até começou bem, mas não evitou mais um desaire. E cai o pano sobre uma 126ª edição do mais prestigiado torneio de ténis do Mundo – que consagrou dois trintões, proporcionou histórias fantásticas e teve o tecto amovível do Centre Court como co-protagonista.
08.07.12
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Federer coroado de novo
Roger Federer bateu Andy Murray na final Foto Reuters

Se Old Trafford apresenta o cognome de ‘Teatro dos Sonhos’, Wimbledon tem apresentado ao longo das últimas décadas histórias verdadeiramente sensacionais – e neste domingo, perante o olhar atento do treinador do Manchester United, não foi o jovem conterrâneo escocês de Sir Alex Ferguson a quebrar uma malapata britânica que dura desde o triunfo de Fred Perry em 1936; foi um trintão helvético a fazer andar para trás os ponteiros do relógio (suíço, claro) e a rubricar uma extraordinária exibição que lhe garantiu mais alguns recordes para o Guinness Book.

Ao cabo de uma cimeira que se apresentava de sonho e que foi jogada metade em recinto aberto e metade com o tecto amovível fechado, Roger Federer domesticou o ímpeto inicial de Andy Murray e deu a volta ao resultado para vencer por 4-6, 7-5, 6-3 e 6-4 ao cabo de 3h24m. A qualificação de ambos para a final já lhes tinha permitido fazer história de maneira distinta e era seguro que se faria novamente história qualquer que fosse o defecho: Roger Federer, que se tinha tornado no primeiro tenista a jogar oito finais em Wimbledon, não só igualou o recorde de sete títulos de Pete Sampras como ainda recuperou a liderança do ranking mundial para roubar precisamente ao americano o recorde de semanas no topo da hierarquia mundial!



COM CALÇAS E OPORTUNIDADES

Quanto a Andy Murray, anulou uma espera de 74 anos para se tornar no primeiro britânico a jogar uma final de Wimbledon desde Henry ‘Bunny’ Austin em 1938… mas não se tornou no primeiro a chegar ao título desde que Fred Perry venceu em 1936, ainda usando calças. Ironicamente, no sábado o quase homónimo Jonathan Marray (ao lado do dinamarquês Frederik Nielsen) tinha-se tornado no primeiro britânico a ganhar o título de pares masculinos em Wimbledon desde esse mesmo ano de 1936…

Murray começou da melhor maneira possível, quebrando o serviço a Federer logo no jogo inaugural e adiantando-se depois para os 2-0. O suíço fez o contra-break para chegar aos 2-2 e quando liderava por 4-3 teve duas hipóteses de conseguir mais um break; só que o escocês aguentou-se muito bem para restabelecer a igualdade a 4-4 e, como tem sucedido nos últimos tempos, quando Roger deixa escapar a oportunidade de quebrar o saque ao adversário fica vulnerável logo depois no seu próprio serviço: minutos depois estava resolvido o primeiro set para o herói local. Na segunda partida Andy continuou a mostrar-se ligeiramente melhor, mas não aproveitou quatro break-points e cedeu fatalmente o seu próprio serviço quando servia sob a pressão do marcador a 5-6.

NOVO CENÁRIO CABRIOLET

A 1-1 no terceiro set, caiu mais uma carga de água sobre Wimbledon – e tem sido uma quinzena particularmente chuvosa em Londres. Houve uma pausa de 40 minutos para que o Centre Court fizesse jus à sua característica cabriolet, mas qualquer que fosse o trabalho psicológico feito pelas equipas técnicas dos respectivos jogadores nos bastidores havia a percepção de que, em recinto fechado e sem a interferência do vento, Federer poderia jogar melhor. E foi o que fez, jogando estrategicamente de modo perfeito para desmantelar a direita de Murray e mostrando-se letal tanto no serviço como com a sua própria direita; a 3-2 no terceiro set fez o break na sequência de uma grande jogada e a partir daí não só se mostrou mais confiante como abriu ainda mais o seu reportório. Na quarta partida a diferença também se fez a partir dos 2-2. E a celebração do helvético foi feita como quase todas as suas 16 anteriores vitórias em eventos do Grand Slam: caiu de costas na relva da Catedral do Ténis.

"Era uma ocasião única por se tratar de Wimbledon, por defrontar o Andy e também por acabar a final com o tecto fechado. Sabia que a ocasião era enorme para ele e para mim. Fiquei feliz por ter ganho e foi obviamente algo de muito especial", revelou o campeoníssimo, que acrescentou: "nos dois últimos anos o Berdych e o Tsonga jogaram de maneira incrível contra mim (nos quartos-de-final), mas este ano decidi atacar mais em vez de esperar pelo erro dos meus adversários. E é assim que se ganha Wimbledon. Tentei ser mais agressivo depois da chuva. Mas ainda nem deu bem para assimilar quão especial é voltar a ser número um, ganhar o sétimo título (em Wimbledon) ou o 17º (do Grand Slam); vai demorar a perceber aquilo que fui capaz de alcançar hoje…".



MURRAY MUITO EMOTIVO

Federer disse também «acreditar profundamente que Andy vai ganhar mais do que um título do Grand Slam. Digo-o de maneira genuína. Espero que ganhe um em breve». Murray não evitou a emoção aquando do seu discurso na cerimónia da entrega de prémios e teve de se recompor várias vezes, emocionado com todo o apoio de um Reino Unido que se uniu à sua volta. Na conferência de imprensa esteve mais sereno: «Fiz um bom jogo, foi muito equilibrado. Mas ele jogou excepcionalmente bem, sobretudo nos dois últimos sets – jogou um ténis incrível com o tecto fechado. A paragem mudou o jogo». E acrescentou: «Estou a melhorar. Como disse o LeBron Jamas (da NBA), ele precisou de passar por muitos pesadelos até concretizar o sonho. Estou numa situação semelhante».

Murray é actualmente treinado por Ivan Lendl, que também perdeu as suas quatro primeiras finais de torneios do Grand Slam antes de somar oito títulos na década de 80. Mas o escocês pode gabar-se de algo que o lendário checo naturalizado americano não conseguiu nas finais de Wimbledon em 1986 (diante de Boris Becker) e de 1987 (perante Pat Cash): ganhar um set!

SIMPLY THE BEST’

E a 126ª edição de Wimbledon ficou encerrada com o triunfo de dois trintões – Roger Federer e Serena Williams – que são também os mais galardoados tenistas da actualidade e dos melhores de todos os tempos (senão os melhores), o suíço com 17 títulos do Grand Slam e a americana com 14.

Cada qual recebeu um cheque de 1,45 milhão de euros pelo respectivo triunfo individual neste glorioso fim-de-semana e juntos somam agora uma dúzia de títulos de Wimbledon entre ambos. Regressarão aos courts relvados do All England Club como principais favoritos à conquista da medalha de ouro olímpica, dentro de três semanas…

DOMINGO: FINAL MASCULINA

Roger Federer (Suíça, cs3)-Andy Murray (Escócia, cs4), 4-6, 7-5, 6-3, 6-4

SÁBADO: FINAL FEMININA

Serena Williams (EUA, cs6) v. Agnieszka Radwanska (Polónia, cs3), 6-1, 5-7, 6-2

SEXTA-FEIRA: MEIAS-FINAIS MASCULINAS

Roger Federer (Suíça, cs3) v. Novak Djokovic (Sérvia, cs1), 6-3, 3-6, 6-4, 6-3

Andy Murray (Escócia, cs4) v. Jo-Wilfried Tsonga (França, cs5), 6-3, 6-4, 3-6, 7-5

QUINTA-FEIRA MEIAS-FINAIS FEMININAS

Agnieszka Radwanska (Polónia, cs3) v. Angelique Kerber (Alemanha, cs8), 6-3, 6-4

Serena Williams (EUA, cs6) v. Victoria Azarenka (Bielorrússia, cs2), 6-3, 7-6

 

Enviado-especial do Correio da Manhã no Twitter: http://twitter.com/MiguelSeabra

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