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JOSÉ FERREIRA, O SENHOR DAS CANELEIRAS

Este empresário de 45 anos gere uma loja de material ortopédico em Lisboa, a OrtoMedicinal, mas foi o pioneiro no fabrico de caneleiras personalizadas em Portugal. A aventura começou em 1986, com cinco pares. Em pouco tempo as caneleiras passaram a proteger os craques.
16.10.04
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JOSÉ FERREIRA, O SENHOR DAS CANELEIRAS
Foto Pedro Catarino
Umas caneleiras ortopédicas personalizadas? Hoje a ideia até poderá não parecer original, mas quando José Ferreira introduziu o negócio em Portugal, em 1986, este empresário estava longe de pensar que nos anos seguintes passariam pelas suas mãos nomes como Branco, Pepe Guardiola, Gabriel Batistuta, Luís Figo, Rui Costa, Ruud Van Nistelrooy, entre outros.
“Trabalhava na altura com o doutor Carvalhais Figueiredo, que após um estágio com os médicos do Real Madrid, em Espanha, trouxe esta ideia para Portugal. Falámos com Fernando Martins, na altura presidente do Benfica, que aceitou custear os primeiros cinco pares”, explicou José Ferreira ao CM.
Em apenas uma época, o negócio começou a aumentar e em breve o Sporting e atletas dos clubes do Norte do País não tardaram a aderir à moda das caneleiras ortopédicas. “Após o sucesso em Lisboa, os jogadores começaram a espalhar a novidade e em pouco tempo vários atletas do Norte, que contactaram com as caneleiras durante os jogos da selecção, procuraram-me para tirarem os seus moldes”.
E José Ferreira ainda se recorda de alguns dos seus primeiros clientes. “Fiz as primeiras caneleiras do Fernando Couto, quando ele ainda jogava na Académica. Lembro-me que quando ele veio a Lisboa para fazer o molde, tudo para ele parecia uma novidade. O João Pinto, antigo capitão do FC Porto, pediu-me mesmo que lhe fizesse umas que fossem até ao pescoço”, relembra.
NEGÓCIO INTERNACIONAL
Foi com o Campeonato do Mundo de Sub-20, em Lisboa, que o negócio explodiu: “Dos jogadores que estiveram presentes no Mundial de Júniores, a chamada ‘geração de ouro’, todos utilizaram caneleiras feitas por mim. Aliás, a Federação pagou metade do custo das caneleiras e a outra metade pagaram-na os jogadores”.
Com a saída para campeonatos estrangeiros de alguns craques portugueses, as caneleiras de José Ferreira internacionalizaram-se. “Quando o Rui Costa transferiu-se para a Fiorentina e o Figo para o Barcelona, alguns dos colegas deles também quiseram ter as suas caneleiras personalizadas. Jogadores como Batistuta, Adani, Guardiola, Hagi, Popescu... Aliás, acabaria mesmo por vir a fazer todas as caneleiras para a selecção romena alguns anos mais tarde”, disse o técnico ortopédico.
Hoje, a concorrência no fabrico de caneleiras já é muito forte e, embora ainda seja bastante solicitado, neste momento José Ferreira fornece sobretudo Benfica, Sporting e alguns atletas da SuperLiga. Aliás, no ‘atelier’ de José Ferreira ainda se encontravam bem a vista os moldes de Luisão, Manuel Fernandes, Tinga, Liedson e mesmo do chileno Pinilla.
“Como pode calcular, com o passar dos anos e com o sucesso que tivemos, surgiram outras empresas que propunham o mesmo tipo de serviço. Embora algumas afirmem que também produzem caneleiras em fibra de carbono, sei de casos em que os produtos nem sempre têm a melhor qualidadee não são feitos de modo a proporcionar algum conforto aos jogadores”, afiança o empresário.
“Quando o Pedro Barbosa transferiu-se de Guimarães para o Sporting, trazia com ele umas caneleiras que mandou fazer no Norte, mas dizia-me que não se sentia confortável com elas. Um dia, durante um jogo do Sporting ele partiu a perna e desde então só usa caneleiras feitas por mim”, assegura.
QUALIDADE DE TOPO
E embora as caneleiras que produz não sejam blindadas – “seria possível, mas elas ficariam demasiado pesadas” –, José Ferreira garante que até hoje nunca recebeu queixas sobre a qualidade dos seus produtos e orgulha-se em poder fornecer caneleiras de topo de gama aos atletas.
“As caneleiras são feitas em fibra de carbono o que as torna muito leves. Aliás, o peso de cada caneleira varia entre os 100 e os 140 gramas. Para atletas de futebol de alta competição este é um elemento fundamental. Por outro lado, as caneleiras não retêm a água, ou seja, mesmo com o suor ou debaixo de chuva intensa, o peso nunca varia”, explica.
Desde que começou, José Ferreira teve de realizar algumas encomendas especiais, caso de um jogador brasileiro que pediu expressamente que as suas caneleiras fossem verde e amarelas, cores da bandeira do Brasil. Já Rui Costa acabou por dar início à moda de encurtar as caneleiras, uma prática que não é de todo aconselhável.
“Depois do Rui pedir as suas caneleiras mais curtas, muitos dos outros jogadores começaram a encurtá-las. Em alguns casos, os atletas acabaram por arrepender-se. Luís Figo foi um dos jogadores que pediu para ter umas caneleiras sem protecção nos malelos, mas quando se lesionou meses antes do Mundial’2002, mandou-me fazer um novo par das caneleiras maiores”, concluiu.
QUINTETO DE LUXO NA 'ESTREIA'
Corria a época de 1986/87 quando um quinteto de luxo no Benfica foi escolhido para fazer o teste das caneleiras ortopédicas de José Ferreira. “Os primeiros cinco moldes que fizemos foram realizados com o Nunes, o Álvaro Maghalhães, o Diamantino, o Carlos Manuel e o Veloso”, começa por explicar o empresário.
Tal foi o sucesso do produto que não tardou o Benfica pediu que as caneleiras fossem um exclusivo do clube da Luz. José Ferreira não aceitou a pretensão dos ‘encarnados’, mas concordou em fornecer em regime de exclusividade o Benfica durante uma época.
Mas houve quem, de início, não quisesse alinhar na nova ‘moda’: “Daquela equipa do Benfica de 86, acabei por fazer as caneleiras de todo o plantel. O último a fazer o molde foi o Shéu, que durante muito tempo dizia que não queria jogar com caneleiras. Mas ao fim de algum tempo, lá acabou por ser ‘engessado’ também”.
MODA POUCO RECOMENDÁVEL
Para ser eficaz, uma caneleira deve proteger a zona que vai desde os malelos (ossos do tornozelo) até perto do joelho, protegendo assim a tíbia e o perónio. Nos últimos anos, no entanto, os jogadores começaram a pedir para ‘encurtar’ as caneleiras, uma modo pouco recomendável segundo José Ferreira.
“Regra geral os médios é que pedem para ter caneleiras mais curtas, mas hoje quase todos pedem-nas um pouco mais curtas. Alguns pedem apenas para tirar a protecção dos malelos, o que aumenta as hipóteses de entorse. Outros, jogam mesmo com caneleiras só até a meio da tíbia, deixando assim a tíbia e o perónio mais expostos”, explica.

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1 Comentário
  • De Fernando César Bighetti04.02.13
    Gostaria de saber como posso entrar em contato com o Sr. José Ferreira, pois fiz umas caneleiras com ele quando jogava em Portugal, há alguns tempos e as perdi.
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