O azar de Azarenka

As irmãs Williams têm dominado o torneio feminino de Wimbledon na presente década (à excepção de 2004 e 2006) e tudo indica que Venus e Serena irão jogar mais uma final entre ambas no Centre Court do All England Club. Nos respectivos encontros dos quartos-de-final femininos na jornada de terça-feira, as manas americanas cilindraram - e se a tarefa de Venus era mais fácil (bateu a polaca Agnieszka Radwanska por 6-1 e 6-2), Serena impressionou ainda mais no seu êxito por 6-2 e 6-3 sobre Victoria Azarenka, a emergente bielorussa treinada pelo português António Van Grichen.
30.06.09
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O azar de Azarenka
Foto Stefan Wermuth/Reuters

«A Serena esteve quase imparável e jogou ao melhor nível que já se lhe viu na sua carreira, para não dizer apenas que rubricou a melhor exibição do torneio», comentou o técnico luso. «A Victoria teve ponto para fazer o 4-2 a seu favor no segundo set, mas desperdiçou nessa altura a oportunidade de inverter o rumo dos acontecimentos e a partir daí não teve mais hipóteses».

O duelo entre a mais jovem das Williams e a jovem Azarenka era o confronto mais aguardado do dia e constituía uma espécie de tira-teimas, porque a americana beneficiou da desistência da bielorussa (indisposição/insolação) nos oitavos-de-final do Open da Austrália e Vika aproveitou uma lesão de Serena para a derrotar convincentemente na final de Miami. Em Wimbledon, voltou a ser um duelo ruidoso (ambas as jogadoras fazem muito ruído ao bater na bola) e a americana foi muito mais feroz. Azar para Azarenka: Serena serviu melhor, foi mais potente nas trocas de bolas e manteve uma maior intensidade exibicional.

«Da última vez que jogámos não me estava a sentir bem», confessou. «Por isso, queria mostrar o que valia hoje». E mostrou de maneira convincente, tal como convincentes foram os sucesso da sua irmã Venus sobre Agnieszka Radwanska e de Elena Dementieva sobre Francesca Schiavone - três encontros dos quartos-de-final femininos algo desapontantes a nível de qualidade/emoção e que duraram, em conjunto, menos do que o épico triunfo de Andy Murray em cinco sets sobre Stanislas Wawrinka na véspera.

SAFINA AGUENTA-SE

O único confronto do dia a proporcionar algum equilíbrio, embora tivesse sido jogado de modo muito nervoso e com demasiados erros, foi o que ditou a vitória da número um mundial Dinara Safina sobre a promissora Sabine Lisicki.

A russa irmã de Marat Safin continua a acusar o peso de ser a líder do ranking sem nunca ter ganho um título do Grand Slam e voltou a revelar-se muito irregular - sobretudo no serviço. Mas soube lutar e dar a volta ao resultado, defendendo-se depois: «Acho que agora as pessoas já não me podem criticar por ser número um sem um título do Grand Slam - fiz meias-finais em todos os torneios do Grand Slam e acho isso impressionante». Mas não basta; Dinara Safina precisa mesmo de chegar ao tal título para certificar a sua liderança na hierarquia mundial... e não partirá favorita para o compromisso das meias-finais com Venus Williams.

Apesar de derrotada, Sabine Lisicki - a jovem alemã de 19 anos que atingiu os quartos-de-final do Estoril Open (e aproveitou para se empanturrar de Pastéis de Belém) - deixou boas indicações para o futuro: dotada de um serviço-canhão e de uma fulgurante direita, tem um estilo agressivo de jogo que poderá ajudá-la a atingir futuramente o top 10.

Quanto à italiana Francesca Schiavone, embora dominada por Elena Dementieva, a sua presença nos quartos-de-final dá que pensar - a italiana podia perfeitamente ter perdido com Michelle Larcher de Brito na segunda ronda (venceu um equilibradíssimo duelo por 7-6 e 7-6)! Ou seja, a menina-prodígio do ténis português poderia ter ocupado o lugar da jogadora de Milão na antepenúltima fase da competição.

Eis os resultados de singulares de terça-feira:

SENHORAS

- Dinara Safina (Rus) - Sabine Lisicki (Ale), 6-7, 6-4, 6-1

- Venus Williams (EUA) - Agnieszka Radwanska (Pol), 6-1, 6-2

- Elena Dementieva (Rus) - Francesca Schiavone (Ita), 6-2, 6-2

- Serena Williams (EUA) - Victoria Azarenka (Bie), 6-3, 6-2

QUARTA-FEIRA: QUARTOS-DE-FINAL MASCULINOS

Haverá excelentes duelos masculinos em perspectiva na jornada de quarta-feira, mas o mais aliciante é o de Roger Federer perante Ivo Karlovic, o gigante croata que ainda não sofreu qualquer break no seu serviço e que tem ultrapassado adversários bem cotados à custa de ases disparados do alto dos seus 2m08 - alinhou 46 contra Jo-Wilfried Tsonga na terceira ronda, fez 35 diante de Fernando Verdasco nos oitavos-de-final.

Roger Federer atingiu pelo menos as meias-finais nos seus últimos 20 torneios do Grand Slam (dobrando o anterior recorde de Ivan Lendl, que era de 10 meias-finais consecutivas). Conseguirá ele fazer de Golias diante do gigantesco ‘King Karlo'? O croata acredita nas suas hipóteses, tanto mais porque já bateu o campeoníssimo suíço numa anterior ocasião: «Ele é provavelmente o melhor jogador de todos os tempos, mas tenho as minhas chances».

O outro grande protagonista do torneio, a par de Roger Federer, tem sido o herói local Andy Murray - que recebeu da rainha uma carta de parabéns por ter ganho o evento do Queen's Club («Pu-la longe do monte das contas por pagar», gracejou). O jovem escocês já sabe que, caso se torne no primeiro britânico a qualificar-se para a final masculina de Wimbledon desde Bunny Austin em 1938, deverá ter a rainha a marcar presença no camarote real do Centre Court pela primeira vez desde 1977.

Já há adeptos britânicos a acampar desde segunda-feira à noite para conseguir chegar às poucas centenas de bilhetes colocados à venda no próprio dia - tal como adeptos australianos que querem ver Lleyton Hewitt diante do americano Andy Roddick.

- Roger Federer (Sui) - Ivo Karlovic (Cro)

- Novak Djokovic (Ser) - Tommy Haas (Ale)

- Juan Carlos Ferrero (Esp) - Andy Murray (GB)

- Andy Roddick (USA) - Lleyton Hewitt (Aus)

QUINTA-FEIRA: MEIAS-FINAIS FEMININAS

Os velhos tempos da Guerra Fria entre americanos e russos serão reeditados desportivamente numa jornada respeitante às meias-finais de singulares senhoras que se espera bem quente no que diz respeito à qualidade tenística - já que estarão em compita as quatro primeiras cabeças-de-série do torneio. As irmãs Williams partem favoritas para o confronto com as suas adversárias moscovitas. Mais uma final de Wimbledon em família?

- Dinara Safina (Rus, cs1) - Venus Williams (EUA, cs3)

- Serena Williams (EUA, cs2) - Elena Dementieva (Rus, cs4)

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