Triunfo pálido nas despedidas

Pelo segundo ano consecutivo, o FC Porto conquistou a Taça de Portugal frente a um adversário bastante mais fraco, sem conseguir atingir brilhantismo nem realizar uma exibição que a tornasse memorável. Na despedida de algumas figuras, a equipa do Porto limitou-se a cumprir a obrigação, aproveitando sem contemplações os erros cometidos pelo Desportivo de Chaves nos primeiros minutos.
17.05.10
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Triunfo pálido nas despedidas
Portistas festejam conquista da Taça, num jogo onde Danilo e Álvaro Pereira estiveram em bom plano Foto Rafael Marchemte

Os colombianos Guarín e Falcão marcaram aos 12 e 23 minutos, ambos em lances de contra-ataque, repetindo o que tinha feito Lisandro Lopez frente ao Paços de Ferreira no ano passado. No primeiro lance, o guarda-redes Rui Rego facilitou e no segundo todo o mérito é da aceleração de Hulk, desfrutando da pouca velocidade dos defesas transmontanos.

Ao longo de toda a primeira parte, o Porto podia ter feito mais golos, mas Hulk foi perdulário em três ou quatro situações idênticas, o que contribuiu para a recuperação da confiança dos flavienses.

Após as substituições, o Desportivo de Chaves justificou amplamente o golo alcançado pelo açoriano Clemente, num lance de malícia que surpreendeu os defensores portistas, enervando Bruno Alves de tal forma que o capitão portista não resistiu a agredir um adversário e a fazer-se expulsar de forma lamentável e gratuita.

O triunfo portista nunca esteve em causa, passou ao lado de uma goleada, mas passa à história a resistência dos flavienses e uma derradeira imagem de irreverência e qualidade, dada pelo golo de Clemente. A imagem positiva do Chaves, organizado e capaz de circular a bola, é um tributo às ligas inferiores, sem esquecer que acaba de ser despromovido: em longos períodos da segunda parte isso não foi sentido, acabando por ser derrotado apenas nos detalhes, em particular ditados pela inexperiência de alguns jogadores.

No meio da festa portista, no Estádio Nacional, sobressaíram assobios ao guarda-redes Helton e descontentamento pela expulsão de Bruno Alves – o que constitui um retrato insólito de um jogo em que as referências portistas deviam ser apenas positivas.

ANÁLISE

POSITIVO

GOLO PORTUGUÊS

Depois de Meyong, Adriano, Liedson, Tiuí, Lisandro, Guarín e Falcão, soube bem ver um português a marcar um golo na final da Taça de Portugal pela primeira vez desde 2005. Clemente, o seu nome.

NEGATIVO

HELTON ALHEADO

O guarda-redes brasileiro Helton foi chamado à Taça de Portugal por Jesualdo Ferreira, apenas pela segunda vez em três anos, e nunca conseguiu esconder uma enorme desconcentração, acumulando erros atrás de erros.

ARBITRAGEM

PENÁLTI POR MARCAR

Clemente foi malicioso no lance do golo, pelo que o maior erro do encontro nem pode ser muito valorizado. Ficou um penálti por marcar sobre Raul Meireles.

"MAIS UM TROFÉU"

"O FC Porto fez a sua obrigação, num jogo em que a percentagem era muito grande a nosso favor. Ganhámos mais um troféu, pessoalmente é o sexto. Estou feliz pelos jogadores que trabalharam muito durante a época", disse Jesualdo Ferreira. "O Chaves percebeu que podia discutir a Taça e fê-lo muito bem", destacou. Após a insistência dos jornalistas sobre a sua continuidade nos dragões, Jesualdo respondeu: "Vocês não me querem mesmo aqui." De seguida levantou-se e abandonou a sala de conferências visivelmente incomodado.

"ENTRÁMOS MUITO BEM"

"Após a marcação do nosso golo [85 minutos], acreditámos que era possível, embora com pouco tempo para jogar. Deixo uma palavra de apreço para os meus jogadores. Nunca tinham jogado numa situação destas. Entrámos muitíssimo bem", afirmou Tulipa, técnico do D. Chaves. "Tivemos uma boa ocasião para marcar, mas depois fomos penalizados por alguns erros que não se podem cometer. Dignificámos o nosso clube e a nossa massa adepta, que é fantástica", concluiu o treinador dos flavienses.

DRAGÕES E FLAVIENSES NA FESTA DO FUTEBOL

Os adeptos do FC Porto festejaram efusivamente a conquista da Taça da Portugal. Tanto nas principais avenidas do Porto, como no Vale do Jamor, em Lisboa, onde confraternizaram com os cerca de oito mil simpatizantes do Desportivo de Chaves, na tradicional festa do futebol nacional. No Estádio Nacional não houve problemas entre apoiantes dos transmontanos e dos portistas.

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