Berardo: "Nunca mais vou fazer denúncias"

O empresário Joe Berardo afirmou esta quarta-feira em tribunal que está arrependido de ter apresentado os documentos na Procuradoria-Geral da República que motivaram as processos contra os ex-administradores do BCP, entre os quais o fundador, Jardim Gonçalves.
09.01.13
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Berardo: "Nunca mais vou fazer denúncias"
"Eu pus o dinheiro no BCP, mas se tivesse sido no BPN teria sido bem pior", disse o comendador Foto Mário Cruz/Lusa

"Eu nunca mais vou fazer denúncias a ninguém", desabafou o investidor depois de ser pressionado pelos advogados e pelo coletivo de juízes a explicar as motivações que o levaram a entrar na "guerra" pelo poder no BCP.

A audiência foi marcada pela constante falha de memória de Berardo quando lhe foi pedido para explicar quem lhe entregou os documentos que serviram de base à denúncia, qual o objetivo que tinha ao apresentar a queixa no Ministério Público e se assinou propostas a pedir a destituição de vários administradores do banco, entre os quais Filipe Pinhal.

O empresário madeirense afirmou que teve a oportunidade de vender as ações e sair do banco quando a guerra entre acionistas surgiu mas que optou por "continuar a luta" por uma questão de dignidade.

"Foi uma má decisão de negócio mas de coerência e de dignidade", sublinhou perante os juízes.

Berardo confessou ainda que não contava com uma desvalorização tão grande dos títulos do BCP: "Nunca pensei que chegasse a este ponto, sinceramente." E ainda ironizou: "Eu pus o dinheiro no BCP, mas se tivesse sido no BPN teria sido bem pior."

Apesar de repetir em tribunal que os documentos entregues ao Ministéiro Público tinham informações graves sobre uma eventual manipulação de mercado, Berardo insistiu que "tinha grande admiração por Jardim Gonçalves" e que ainda a mantém. "No princípio do banco modernizou o sistema bancário em Portugal", afirmou o investidor.

A sessão acabou marcada por um incidente pois no final da audiência, quando saía da sala, Berardo tentou cumprimentar António Rodrigues, ex-administrador do BCP e arguido que o acionista tinha descrito como uma pessoa de mau caráter, e que se recusou a lhe estender a mão.

Neste processo-crime estão acusados quatro ex-gestores do BCP, Jardim Gonçalves, Filipe Pinhal, António Rodrigues e Christopher de Beck, estão acusados de manipulação de mercado e falsificação de documento.

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