Burlões vendiam casas inexistentes

Um casal de 35 anos foi detido pela PJ de Leiria, por ter burlado “dezenas de pessoas”, na sua maioria empresários, que eram aliciados a comprar por um bom preço habitações que estariam para execução judicial, mas que na realidade nem sequer existiam.
27.05.06
  • partilhe
  • 0
  • +
Burlões vendiam casas inexistentes
As vítimas investiam sem sequer ver o que estavam a comprar Foto Natália Ferraz
Os dois detidos, que estão em prisão preventiva, residem em Leiria e são acusados de diversos crimes de burla qualificada, tendo causado prejuízos que ultrapassam os dois milhões de euros.
Os arguidos seduziam, de forma astuciosa, os incautos, convencendo-os de que dispunham de bons contactos nos tribunais e por isso estavam em boas condições de comprar habitações que estariam para execução judicial por preços muito mais baixos do que o seu valor de mercado.
A PJ de Leiria admite que ainda não conhece a dimensão exacta da burla, apesar de já ter identificado “dezenas de casos”, com lesados residentes, nomeadamente, nas zonas de Viseu, Guarda e Algarve.
As vítimas são pessoas “com dinheiro para investir, que procuravam um bom negócio e confiavam na palavra” dos arguidos, disse um informador policial.
A investigação teve início no Ministério Público de Leiria, onde foi apresentada uma das queixas.
LESADO DIZ QUE VÍTIMAS SÃO DEZENAS
Um dos lesados é empresário no sector do turismo e foi burlado pela mulher detida em 90 mil euros, que se destinariam a comprar dois apartamentos em Leiria e uma vivenda no Algarve. “Ela convenceu-me que tinha bons conhecimentos no Tribunal onde se iriam realizar as hastas públicas e eu passei-lhe um cheque para comprar as casas, com a garantia de que iria receber as chaves daí a 30 ou 40 dias”, contou o lesado, que não quer ser identificado por receio de represálias.
“Depois disse que tinha comprador para as casas, que pagava um bom preço, e eu aceitei vender, só que era tudo mentira”, contou o empresário adiantando ter conhecimento de pelo menos mais 50 vítimas.
REDE NUMEROSA
MAIS DETENÇÕES
Os dois arguidos não têm qualquer relação afectiva e tudo indica que fazem parte de um grupo mais numeroso, pelo que podem ocorrer mais detenções.
INVESTIGAÇÃO
A principal dificuldade da investigação consistiu em perceber os contornos do negócio e a sua dimensão, que afinal se estende a quase todo o País.
ESCRITÓRIO
A mulher detida tinha um escritório aberto na zona de Leiria e por vezes fazia-se passar por solicitadora.

pub

pub

Ver todos os comentários
Para comentar tem de ser utilizador registado, se já é faça
Caso ainda não o seja, clique no link e registe-se em 30 segundos. Participe, a sua opinião é importante!