Mário Soares: "A Europa está sem força política"

A Europa está "sem força política" para responder à situação actual, mas isso pode mudar se a Alemanha deixar de temer a inflação e o BCE for autorizado a emitir moeda, afirmou esta segunda-feira o ex-presidente da República, Mário Soares.
28.11.11
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Mário Soares: "A Europa está sem força política"
Mário Soares, ex-presidente da República, acredita que a situação pode mudar se a Alemanha deixar de temer a inflação e se o BCE for autorizado a emitir a moeda Foto Sérgio Lemos

Em declarações à Lusa, o ex-chefe de Estado considerou que é vital que a Europa volte a ganhar força política, insistindo que "não tem sentido nenhum" e "qualquer legitimidade" a actuação do actual eixo França-Alemanha.

"A Europa não tem força política. Isto pode mudar-se de um dia para outro, dando ao BCE a possibilidade de emitir moeda. Quando fizer isso, sucede o que sucede no Reino Unido que ainda há 15 dias lançou uma nova emissão de moeda, o que os americanos fazem todos os dois", afirmou. 

"Porque é que não faz? Porque a senhora Merkel tem medo da inflação. Mas a inflação com a pobreza geral da Europa não tem sentido", declarou Mário Soares, à margem do encontro ‘Memória militar e valores constitucionais na Península Ibérica’, promovido pela Associação  25 de Abril e pelo Fórum Milícia e Democracia, que decorre no  Centro de Estudos Políticos e Constitucionais em Madrid.  

No encontro, o ex-presidente da República foi questionado, por um dos militares espanhóis veteranos presentes, sobre a sua visão relativamente às propostas de uma união entre Espanha e Portugal.  

Mário Soares considerou que essa união ibérica do ponto de vista político "não tem sentido", até porque "os povos são ciosos da sua independência", mas que deve haver uma "acção concertada em muitos aspectos", tanto a nível Europeu como junto da América Latina.  

"Até devíamos ter tido mais coordenação do que temos tido em relação ao que se está a passar na Europa hoje. Se tivéssemos agido, quando começou esta crise, e se em vez de insultar a Grécia tivéssemos ido ao encontro da Grécia, batendo o pé em conjunto na Europa, as coisas teriam sido diferentes", afirmou.  

"Devíamos ter uma cooperação mais activa na política interna e externa. E neste momento, no capítulo externo deveríamos ter uma voz comum, dos dois Estados ibéricos a bater com o punho em cima da mesa para dizer que isto não pode continuar nesta balbúrdia, na Europa de hoje. Se não vamos para o fundo", concluiu.  

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