Offshores do BPN pagaram contas

A auditoria interna ao BPN/SLN levada a cabo pela equipa liderada por Miguel Cadilhe, à qual foi dado o nome de ‘Operação César’, mostra que a Jared Finance LLC – a offshore com origem no Banco Insular que, segundo o acórdão do Tribunal da Relação de Lisboa, foi criada e manipulada por Oliveira e Costa – tinha, no final de 2008, um passivo de 41,4 milhões.
05.06.09
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Offshores do BPN pagaram contas
Oliveira e Costa está a contas com a Justiça. O buraco da offshore por si criada ascende a 41,4 Foto Manuel Moreira

De acordo com o documento a que o CM teve acesso, a offshore serviu tanto para regularizar despesas correntes quanto para pagar a colaboradores. A auditoria é clara: “[Foram feitas] transferências para diversas entidades domiciliadas no BPN, em alguns casos colaboradores”, no montante de 2,78 milhões de euros; foram pagas diversas despesas do BPN, entre as quais facturas da PT Prime, no montante de 815 mil euros.

A somar a estes valores, contribuem ainda para o passivo “transferências para diversas entidades domiciliadas no BPN Cayman, no montante de 4,84 milhões de euros, transferências para as chamadas contas-investimento, no valor de 31,46 milhões de euros, transferências domésticas e para o exterior, num total de 3,33 milhões, e transferências para duas entidades, não reveladas, domiciliadas no BPN IFI, no valor de 1,29 milhões.

A auditoria mostra ainda que foram feitos levantamentos em numerário “no total de 5,85 milhões de euros” e emitidos cheques bancários “que, na sua maioria, seriam levantados, conforme as instruções dadas”, por António José Duarte ou David Gorjão”, no total de 4,30 milhões de euros. A offshore serviu ainda para pagar juros devedores no montante de 1,63 milhões de euros.

Segundo o acórdão, a Jared permitiu a realização de pagamentos a administradores, bem co-mo o pagamento de comissões indevidas, designadamente relacionadas com a aquisição de espaços destinados a agências e com a aquisição de participações sociais noutras sociedades. Terá igualmente sido através dela, segundo o acórdão, que Oliveira e Costa terá transferido um milhão de euros usando uma galeria de arte como intermediária.

OLIVEIRA E COSTA GANHOU MAIS DE 1 MILHÃO COM MAIS-VALIAS

A auditoria interna mostra que a offshore Invesco Worldwide “foi utilizada para a negociação de acções da SLN, de que resultaram mais-valias no montante de 3,429 milhões de euros. Parte realizado com a operação, segundo o documento, foi transferido para a Twill Consultants. Outra parte, no valor de 1,066 milhões de euros, foi transferida para a conta de Oliveira e Costa, então líder do grupo.

O passivo desta offshore, no final de 2008, rondava os 15,18 milhões de euros, revela a mesma auditoria.

PORMENORES

CONTROLO DO GRUPO

O Ministério Público acredita que Oliveira e Costa concebeu e desenvolveu um esquema de financiamento a sociedades instrumentais, ocultando estratégias de tomada de controlo accionista.

DUARTE LIMA E O BPN

Empresários líbios, representados por Duarte Lima, advogadoe antigo líder da bancada parlamentar do PSD, tentaram comprar a SLN e BPN antes da nacionalização, noticia o ‘Público’.

"DEIXEI DE ACREDITAR NAS INTENÇÕES DO PS" (Nuno Melo, Deputado do CDS-PP)

Correio da Manhã – Como é que despesas correntes, pagas por offshores, passaram ao lado da supervisão?

Nuno Melo – Não se percebe é como nem o Banco de Portugal (BdP) nem auditores internos nem ROC perceberam o significado de facturas de comunicações e despesas correntes terem sido pagas por terceiros, através de uma conta com origem no Insular. É preciso saber se os auditores que não detectaram isto são os mesmo que se mantêm no actualmente BPN.

– O BdP já devia ter revelado o resultado dos processos?

– A derrapagem de 700 milhões para 2,5 mil milhões nos custos para o contribuinte justificaria uma maior firmeza e celeridade nos processos. De facto, o tempo está a passar e não se sabe nada sobre o resultado dos processos abertos.

– O que espera do relatório?

– Deixei de acreditar nas intenções do PS depois de Vital Moreira ter usado a comissão para ligar o BPN a um partido e de o PS ter protelado a audição do governador. Não antecipo nada de bom da feitura do relatório. Há coisas que são comprováveis sobre o BdP que têm de constar no relatório. Se o PS aligeirar as responsabilidades, o relatório não merecerá o nosso voto e não garanto que não elaboremos outro.

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