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Chuva ‘suja’ traz areia do deserto

Carros cobertos de pó e roupa estendida suja são resultados visíveis de fenómeno natural que transporta areias do Norte de África
09.08.10
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Chuva ‘suja’ traz areia do deserto
Ventos provenientes de Leste são responsáveis pela sujidade Foto Bruno Agostinho

Chuva com areias do deserto provenientes do Norte de África caiu ontem de manhã nas regiões do Sul do País, em especial nas zonas de Lisboa, Margem Sul e Algarve. O fenómeno natural, resultante da deslocação do vento de Leste, ocorre com alguma regularidade nos meses de Verão, explicou o meteorologista Pedro Vieira.

Por chover num domingo, dia em que os níveis de poluição não são tão elevados, as poeiras libertadas não provocam danos na saúde. Assim, os resultados mais visíveis são a sujidade nos automóveis e nas peças de roupa nos estendais.

O fenómeno da chuva com areia resulta de dois factores, segundo explicou ao CM o meteorologista Pedro Vieira. "Em primeiro lugar, ocorre com vento proveniente de Leste, que transporta poeiras do interior da Península Ibérica e do Norte de África, bem como os fumos resultantes dos incêndios que ocorrem nesta época do ano", referiu o meteorologista. "Em sentido inverso, quando o vento se desloca de Oeste, as nuvens são formadas sobre o Atlântico, sem que haja acumulação de poeiras e com a ocorrência de chuva límpida".

O segundo factor que motiva a chuva ‘suja’ são as altas temperaturas, que promovem "fraca ocorrência de precipitação, levando a que haja uma maior concentração de areias e poeiras", acrescentou Pedro Vieira. Em Lisboa, os fracos valores de chuva observados ocorreram ontem entre as 08h00 e as 12h00.

"Habitualmente, as pessoas não estão habituadas a ver chuva com esta poeira, mas não se pode falar num fenómeno raro", referiu. Em Portugal, na madrugada de 7 de Julho, o fenómeno tinha já sido observado.

Para hoje, as previsões do Instituto de Meteorologia indicam a possibilidade de ocorrência de aguaceiros e trovoadas, principalmente de manhã, podendo repetir-se o fenómeno de chuva ‘suja’. Para o meio da tarde, o Sol deverá voltar, com o consequente aumento da temperatura. Ontem, perante um dia cinzento, Lisboa não foi além dos 29 graus centígrados. Évora teve 34 e o Porto 24.

PÓ NO AR MAIS PERIGOSO SE FOR ALIADO À POLUIÇÃO

"O risco de a chuva com poeiras, em que grande parte resultam dos incêndios, poder agravar os problemas dos doentes respiratórios só se verifica quando esta precipitação coincidir com dias em que há elevada poluição, resultante da libertação de gases pelos tubos de escape dos automóveis", explicou ao CM Francisco Ferreira, coordenador da área de qualidade do ar do departamento de Ciências e Engenharia do Ambiente da Faculdade de Ciência e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa e vice-presidente da Quercus.

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