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Ex-provedor nas orgias

'João A.’, uma das principais testemunhas do processo Casa Pia, implicou o ex-provedor Luís Rebelo e Manuel Abrantes nas orgias que, entre os 12 e os 17 anos, assegura ter presenciado na casa de Colares, disse ontem Catalina Pestana, na 35.ª sessão do julgamento de pedofilia.
05.04.05
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Ex-provedor nas orgias
Foto Carlos Laranjeira
A provedora frisou que além de Rebelo e Abrantes, ‘João A.’ actualmente com 23 anos, informou-a que quem transportava os jovens para Colares – “para arejar” – era o antigo coordenador dos educadores do colégio Maria Pia, António Magalhães. E que este participava – com estrangeiros e José Pires, ex-director do mesmo colégio – nas filmagens de abusos sexuais: “Confrontei-os e ambos disseram que era tudo falso”.
O mesmo ex-aluno, que, segundo Catalina, só a procurou depois de se ter tentado suicidar, relatou-lhe ainda que, na casa dos ‘erres’, no Restelo, as vítimas tinham à sua disposição bebidas e droga: “Cocaína (...) Era para não doer”.
E adiantou que a mãe de ‘João A.’, quando soube dos abusos foi falar com a educadora do filho, Emília, e com António Magalhães. “Ter-lhe-ão respondido que ela era uma drogada e que ninguém acreditaria nela. Anteriormente, o próprio jovem afirma ter ido à provedoria falar com o dr. Luís Rebelo e que este lhe prometeu que trataria de tudo.”
O CM tentou contactar Luís Rebelo, o que não foi possível até ao fecho desta edição.
Depois salientou que ‘Joaõ A.’ tem um discurso “muito organizado” e que o jovem lhe confidenciou que foi abusado por Carlos Silvino, Jorge Ritto, Carlos Cruz e outras pessoas que não foram constituídas arguidas. Ao contrário do que sucedeu em anteriores sessões, nem o procurador João Aibéo, nem a juíza Ana Peres pediram a Catalina para avançar com os nomes que lhe foram apontados pelo jovem.
FAVORITO DE CRUZ
A audiência ficou igualmente marcada com o que a provedora relatou das conversas que teve com 16 vítimas de pedofilia, que lhe mencionaram o nome de todos os arguido e os locais onde foram molestados. Logo no início da audiência foi questionada acerca de ‘Pedro’, um dos “miúdos” que mais se dava com ‘André’, o denominado braço-direito de Carlos Silvino. Catalina sustentou que ‘Pedro’, actualmente com 20 anos, lhe disse ter sido abusado por Carlos Silvino e por Ferreira Diniz e Carlos Cruz, entre os 12 e os 15.
Do apresentador, a provedora sublinhou que perguntou ao jovem se não estaria enganado. “‘Ó senhora’, disse-me ele, ‘se não acredita peça para ver. Ele tem a pele do coiso cortada e puxada para cima (...) Ele gostava de mim. Escolhia-me sempre. Dizia que tinha pele de ‘bebé’. (...) Isto foi logo na primeira conversa, em Janeiro de 2003.”
Questinada pelo MP em relação à possibilidade de ‘Pedro’ se ter prostituído, Catalina respondeu que não e voltou a responder não, desta vez a Ana Peres, quando a juíza quis saber se algumas das testemunhas com quem falou lhe havia mencionado a questão da indemnização que o Estado se propõe pagar às vítimas de pedofilia. “‘André’ até me garantiu que se recebesse algum dinheiro o doava a um dos centros onde esteve internado”, referiu a provedora.
NO TRIBUNAL
CATALINA GAGÁ?
Uma falha de comunicação entre o juiz Barata Lopes e Catalina Pestana - em causa estava o facto de, em Dezembro de 2003, Carlos Cruz já estar, ou não, relacionado com o actual processo da Casa Pia, com a provedora a dizer que não - originou uma confusão durante o interrogatório do Ministério Público. Catalina equacionou mesmo a hipótese de estar “gagá”. Perante a concordância de arguidos e respectivos advogados, o procurador João Aibéo frisou: “A dra. Catalina não está, nem de perto nem de longe, gagá”.
“VELHOTA DE ELVAS”
Gertrudes Nunes, a proprietária da casa de Elvas onde terão ocorrido abusos sexuais, foi visada pela primeira vez nas declarações de Catalina Pestana. A provedora revelou que vários jovens identificaram Gertrudes como a pessoa que algumas vezes abria a porta. Uma das vítimas referiu-se à proprietária da casa das orgias como a “velhota de Elvas”.
TENTATIVA DE SUICÍDIO
Um dos jovens que acusa Ferreira Diniz e Carlos Silvino de abusos sexuais tentou suicidar-se na Casa Pia, quando tinha 15 anos, atirando-se de um segundo andar para um pátio, revelou a provedora. Segundo Catalina, só posteriormente conheceu o jovem que lhe revelou também ser vítima.
EXPULSOS DA CASA PIA
Quase todos os alunos envolvidos no processo de Oeiras, também relacionado com abusos sexuais, foram expulsos da Casa Pia, garantiu Catalina Pestana em tribunal. Segundo a provedora, o braço-direito de ‘Bibi’, ‘André’, escapou à punição, por alegadamente “saber de mais” e “ter protecção”.

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