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Saúde custa 25 milhões de euros/dia

O total das receitas do IRS não chega para pagar os cuidados dos portugueses que recorrem ao SNS.
30.04.11
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Saúde custa 25 milhões de euros/dia
José Mendes Ribeiro e Carlos Pereira da Silva Foto Pedro Catarino

O Serviço Nacional de Saúde (SNS) custou, em 2010, mais de 25 milhões de euros por dia. E apesar das medidas de poupança implementadas pelo Ministério de Ana Jorge, a factura diária dos primeiros três meses deste ano está nos 24,3 milhões de euros. Para pagar aquela despesa não chega aos cofres do Estado todas as receitas cobradas em IRS. Por cada dia que passa há um défice de um milhão de euros entre o total das receitas de IRS e o conjunto das despesas realizadas pelo SNS. Trata-se de um cenário que os apoiantes do movimento Mais Sociedade, próximo do PSD, consideram insustentável.

Para inverter esta situação aqueles responsáveis dizem ser necessário dar liberdade de escolha aos doentes, fixar uma prestação a pagar pelo utente e implementar uma tabela única de preços para todos os operadores (públicos e privados) no sector da saúde.

José Mendes Ribeiro, professor na Faculdade de Medicina de Lisboa, revelou ontem que a despesa total com a saúde aumentou, em média, 4,9% ao ano entre 2000 e 2008. "Cerca de 25% das verbas do Orçamento do Estado servem para financiar a saúde", refere aquele responsável.

O próprio líder do PSD afirmou ontem que "o Estado não tem de ser o único prestador de serviços de saúde". Passos Coelho adiantou que "pretendemos que as pessoas possam ter um seguro iminentemente público mas que possam escolher". Em relação à Segurança Social, Carlos Pereira da Silva afirmou que o desemprego está a ameaçar a sustentabilidade das reformas, e que se a economia não crescer, em média, 2% ao ano, não haverá dinheiro para pagar pensões em 2050. Para aquele responsável é preciso trabalhar mais, durante mais tempo.

DÚVIDAS DE JUNCKER SOBRE FINLÂNDIA NÃO ASSUSTAM OLLI REHN

A Comissão Europeia reafirmou ontem que está convicta de que a Finlândia "pode e vai fazer parte" da decisão do programa de ajuda a Portugal, que Bruxelas continua a acreditar ser possível acordar ao nível comunitário em meados de Maio.

No mesmo dia em que o líder do Eurogrupo, Jean-Claude Juncker, disse recear que o prazo seja demasiado "curto", face ao "problema finlandês", o porta-voz do comissário europeu dos Assuntos Económicos, Olli Rehn, disse que, estando "ciente da situação política na Finlândia", a Comissão acredita num consenso dentro dos prazos inicialmente apontados.

Ontem, o primeiro-ministro finlandês Jyrki Kataine disse que o país vai tomar uma decisão sobre o resgate de Portugal quando conhecer as condições do pacote de ajuda e num prazo de apenas cinco dias.

REACÇÕES PSD E CDS

PASSOS FAZ PEDIDO À TROIKA

O líder do PSD, Passos Coelho, pediu ontem à troika, que está a negociar o empréstimo a Portugal, "margem de manobra" ao futuro governo. Mais, insistiu em pedir respostas ao Governo. O programa eleitoral não deve ser apresentado antes de quarta-feira, à espera das propostas da troika e o CM apurou que não devem estar no programa nem a redução das pensões consoante o tempo de subsídio de desemprego nem a ideia de passes sociais só para os mais pobres.

"FARTAM-SE DE ESTAR JUNTOS"

O CDS é o partido que está "em melhores condições" para dar resposta aos anseios dos portugueses. A convicção é de Paulo Portas, líder do partido, e foi expressa ontem após a entrega da lista de candidatos por Aveiro. Na ocasião, Portas apelou ao PS e PSD para que parem com as acusações, criticando ambos os partidos. "PS e PSD fartam--se de estar juntos enquanto não há eleições, juntos no PEC 1, PEC 2, PEC 3. Chegam as eleições, começam aos gritos", afirmou.

CARRIS PRECISA DE CORTAR PESSOAL MAS NÃO HÁ DINHEIRO PARA RESCISÕES

As empresas de transporte público estão falidas e não têm quem lhes empreste dinheiro, tendo havido mesmo casos da retirada de emissões, como aconteceu com a Refer. O défice acumulado deste sector atinge cerca de 10 por cento do PIB, cerca de 17 mil milhões de euros.

A Carris, por exemplo, precisa de diminuir pessoal "mas não tem dinheiro" para fazer rescisões. Quem o admite é o próprio presidente da transportadora pública, Silva Rodrigues, que refere ainda que "as empresas estão todas numa situação de pré-ruptura" e que "não têm quem lhes empreste nada". A empresa pública rodoviária de Lisboa precisa de 110 milhões de euros em Junho.

A Refer apresentou ontem os resultados com os prejuízos de 146,5 milhões de euros em 2010. Só a dívida acumulada conjunta da CP e da Refer atinge os dez mil milhões de euros. Para Silva Rodrigues, a mobilidade é um serviço essencial a todos mas "as empresas não podem continuar a vender barato para todos". Joaquim Góis, porta-voz do movimento Mais Sociedade, defendeu ontem a privatização de empresas de transporte público para resolver o problema do défice crónico.

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