A mão que escreveu a carta contra o papa Francisco

Carlo Maria Viganò, o arcebispo de 77 anos que abriu uma crise na Igreja, é visto como “um empregado insatisfeito”.
Por Fernanda Cachão|02.09.18
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A minha consciência exige que revele os factos que presenciei, relativos ao Papa Francisco, que têm um significado dramático (...) e que não permitem que fique em silêncio; aquilo que aqui afirmo, e que estou pronto para repetir sob julgamento, assim seja Deus minha testemunha", escreve na página seis de uma carta aberta de onze páginas Carlo Maria Viganò; carta essa em que acusa o Pontífice de encobrir desde 2013 as acusações de abuso sexual de menores que recaem sobre o ex-cardeal americano Theodore McCarrick. Foi por isso, que o arcebispo de 77 anos pediu ao Papa que resignasse.

Foi o jornalista e vaticanista Marco Tosatti a ajudar o arcebispo italiano, irmão de um padre jesuíta, velho conhecido do Pontífice, na redação e edição das onze páginas - sentaram--se lado a lado numa mesa de madeira na sala da casa de Tosatti, durante três horas. O vaticanista, que escreve no ‘La Verità’, consultor da CBS News, autor de livros como ‘João Paulo II - Retrato de um Pontífice’, ‘Dicionário do Papa Ratzinger’ ou ‘La Profezia di Fatima’, diz que aquele é "um dos mais dramáticos e importantes documentos que leu nos quase 40 anos em que faz a cobertura de assuntos religiosos".

Mas Tosatti, que segue os assuntos do Vaticano desde 1981, é um conservador, crítico de Papa Francisco - à Associated Press contou que Viganò lhe terá ligado inesperadamente, pedindo-lhe que se encontrassem. A carta aberta baseia-se em acusações pessoais, sem anexar documentação ou prova. Tosatti diz que apaziguou a linguagem de "um homem enraivecido", que costuma insurgir-se contra as "redes homossexuais" no seio da Igreja, que atuam "com o poder de tentáculos de polvo" para "estrangular vítimas inocentes". Viganò liga a pedofilia à "existência de um lóbi gay" dentro da Igreja. O Papa Francisco é o Pontífice da tolerância que disse a célebre frase - "Quem sou eu para julgar?".

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