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A perversão do nojo

Reedição da colectânea dos poemas de António José Forte oferece décadas de ruptura, recusa e silêncio.
18.06.17
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A perversão do nojo

Em março de 1983 foi publicado pela &etc um pequeno livro com o título ‘Uma Faca nos   Dentes’, que reuniu toda a escrita de António José Forte. Era um magro volume de seis dezenas de páginas e uma dúzia de textos, que incluía o tríptico originalmente publicado na revista ‘Pirâmide’ – que durante três números, entre 1959 e 1960, deu voz ao chamado Grupo do Café Gelo, a que Forte pertencia e que constituiu a segunda geração do surrealismo português –, os 11 poemas do seu único livro, ‘40 Noites de   Insónia’   (1960),   sete   poemas publicados em jornais e dois textos de crítica, um sobre Dada, antes saído no suplemento literário do ‘Diário de Lisboa’, e outro sobre Alfred Jarry, destinado ao n.º 16 da revista ‘&etc’ (1973), mas nunca publicado graças à censura. O título do livro era o do poema saído na antologia da Minotauro sobre surrealismo e abjeccionismo, a herança artística de destruição/construção que o Grupo do Café Gelo reivindicava na senda de Pedro Oom, da primeira geração surrealista.

‘Uma Faca nos Dentes’ deu a conhecer a voz muito própria de um poeta único, em permanente perversão ao discurso poético, e a sua visão claramente libertária, que deixava à poesia o lugar da ruptura e da recusa ou, na sua impossibilidade, o silêncio. Forte publicaria ainda, também pela &etc, o poema ‘Azuliante’ (1984) e, pela Hiena, os conjuntos de poemas ‘Dia a Dia Amante’ (1986) e ‘Caligrafia Ardente’ (1987), antes de falecer em dezembro de 1988.

A Hiena reuniu então num só volume,   sob   o   título   ‘Corpo   de Ninguém’ (1989), todos os títulos até então publicados e mais um conjunto de inéditos. Em 2003 a Parceria A. M. Pereira reedita esta colectânea, acrescida de inéditos e outros textos e poemas já publicados em jornais mas só entretanto descobertos, recuperando o seu título original de ‘Uma Faca nos Dentes’, numa edição há muito esgotada. É este conjunto de textos essenciais da poesia portuguesa, com mais dois textos inéditos em livro, que volta agora a estar disponível no mercado pela mão cuidada da Antígona.

Livro

Uma história musical da rádio pública

De Beatriz Costa aos Capitão Fausto, um quadro da música nacional pelas vozes da rádio, coordenadas por Henrique Amaro, que escrutam um disco por artista em cinco capítulos da história do media: a fundação da rádio, o vinil em Portugal, a revolução de Abril, a afirmação da FM e o novo século digital.

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Um duplo livro - pois integra ‘Punk Comix: Banda Desenhada e Punk em Portugal’, de Marcos Farrajota - que tenta entender, através do levantamento exaustivo de fanzines, discos e cassetes, como se criou a estética caótica reconhecida como punk e pelo meio conta infindas histórias ligadas aos seus actores.

 

FUGIR DE:

Ricardo Rio

Ao decidir, com curto intervalo de tempo, retirar do espaço público uma estátua de bronze representando D. João Peculiar, arcebispo de Braga e estratega da independência de Portugal, e erigir uma outra, em fibra de vidro policromada, representando Augusto, imperador e ditador romano que colonizou os brácaros e transformou a cidade num posto militar contra as tribos insubmissas, o presidente da Câmara Municipal de Braga demonstrou ou a sua ignorância da História ou o seu desprezo pelos valores nacionais, para além de um atroz mau-gosto.

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