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A Privatização dos CTT

Compreendo que muito se alterou desde D. Manuel II, mas quando se muda é de esperar que seja para melhor.
04.12.17
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A Privatização dos CTT
CTT

As Escolhas de... Maria Filomena Mónica

Não tenho uma posição dogmática quanto às privatizações. Há maus serviços públicos e boas empresas privadas e vice-versa. Tudo depende da forma como são geridos. Sempre considerei que os CTT eram um dos poucos serviços públicos que funcionava bem. Em 2013, foram privatizados.

Pouco a pouco, fui descobrindo que os seus serviços estavam a piorar. Os carteiros mudavam todos os meses, deixavam cartas para destinatários que ninguém sabia quem fossem. Ora, eu gostava do sr. Palmela, que conhecia há anos, e com quem falava dos meus livros. Mesmo depois de ele ter morrido, não tive razões de queixa. A qualidade do serviço variava, desde a eficiência da Sara às extravagâncias do Homero, passando pelos anónimos que me batiam à porta para nunca mais voltar. Suponho que eram precários.

A encomenda
Recebo muitos livros pelo correio. Em geral chegam-me directamente por via da MRW ou da SEUR. Em geral, corre tudo bem. Mandam-me um email a dizer em que dia e a que horas virão bater--me à porta. Em Outubro deixaram-me na caixa do correio, em dias seguidos, dois avisos de um tal CTT expresso, dizendo-me: "Como não estava, não foi possível entregar a sua encomenda." Liguei para lá. O funcionário disse-me que teria de ir a Loures levantar o pacote. No meio da minha fúria, notei que da primeira vez que o carteiro batera à porta eram 8h25 e da segunda 8h08. A essas horas estava em casa, mas a dormir. Pelos vistos, podem fazer entregas de madrugada.

Compreendo que muito se alterou desde que D. Manuel I instituiu o ofício de Correio-Mor. Mas julgava que a ideia de privatizar os CTT seria a de os tornar mais eficientes. Segundo o ‘Diário de Notícias’ (20/11/2017), em duas semanas de Novembro, os CTT viram desaparecer 284,7 milhões do seu valor em bolsa.

Se julgam que o desastre se reflectiu nos salários dos administradores estão enganados: nos últimos três anos, os membros da administração receberam 12 milhões em dinheiro e acções, tendo o seu CEO, Francisco Lacerda, levado para casa três milhões. Se alguém pensa que, em Portugal, se premeia o mérito, desiluda-se.

POLÍTICA
Janusz korwin-mikke:o meu ódio de estimação
Ter-se um ódio de estimação dá sabor à vida. Escolhi o eurodeputado polaco que, num debate no Parlamento de Estrasburgo, atribuiu a culpa pela baixa taxa de natalidade às mulheres que trabalham, em vez de ficarem quietinhas no lar a gerar rebentos. Nascer em Portugal é mau, nascer na Polónia deve ser pior.

LIVRO
Uma reivindicação dos Direitos da Mulher

Eis o título do livro publicado em 1792 por Mary Wollstonecraft. Todas as mulheres – e ainda hoje – o devem ler, porque muito do que ela ali diz ainda é valido. Wollstonecraft defendeu que a inferioridade das mulheres se devia não a qualquer deficiência genética, mas à falta de educação que pais e maridos lhes impunham.

LIVRO
Humor a propósito de achaques femininos

Há poucos livros sobre mulheres que me tenham feito rir tanto quanto este de Nora Ephron. Em Portugal, a autora é mais conhecida pelo argumento que escreveu para o filme ‘When Harry Met Sally’, aquele em que a rapariga simula um orgasmo num café de Nova Iorque. Entre os dois, escolha o primeiro.

Fugir de:
Cantinas más
Farta de comer no refeitório da Escola Básica 2/3 de Braga, uma aluna filmou a refeição que tinha diante de si, onde se passeava uma lagarta.

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