Conselhos aos Jovens

A tão falada “empregabilidade” não deve condicionar a escolha de um curso universitário.
Por Maria Filomena Mónica |29.04.18
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Conselhos aos Jovens
A tão falada "empregabilidade" não deve condicionar a escolha de um curso universitário

Na minha qualidade de docente e de avó, tenho debatido com jovens a forma como escolher um curso universitário. A primeira coisa que lhes digo é que, mesmo no caso de terem médias altas no 12º ano, não vão necessariamente para Medicina ou para Gestão, as opções que, tendo em conta uma real ou suposta "empregabilidade", os paizinhos preferem.
Depois, relembro-lhes que uma Universidade não serve apenas, nem sobretudo, para formar os indivíduos robóticos que os políticos julgam necessários ao funcionamento da Economia. Uma boa Universidade destina-se, sobretudo, a ensinar a pensar.

O que importa
Os jovens não devem encarar a Universidade como um comboio. Se tiverem escolhido um curso cujos carris conduzam a um trabalho que descubram não ser do seu agrado, devem voltar atrás. Pena é que as Universidades portuguesas não tenham, como os comboios, alguns ramais, de onde se possa saltar de um para apanhar o outro.
O que importa não é apenas a qualidade dos docentes, mas a dos alunos pois, até certo ponto, são estes que determinam o grau de exigência de um curso. Actualmente, talvez a profissão mais apetecível seja a de Jornalismo, considerada como uma luta gloriosa contra os poderosos, mas não se inscrevam numa licenciatura em Jornalismo mas num curso que vos dê uma sólida base de cultura geral. Esta obtém-se em História, em Filosofia ou em Literatura. Nos bons romances está lá tudo, o que ajudará os jovens a sair da redoma onde foram criados. Viajar é importante e, com o apoio do plano Erasmus, isso é mais fácil do que no meu tempo. Infelizmente, a forma como o esquema financiado pela UE está montado faz com que apenas possa ser utilizado por alunos cujos pais tenham rendimento. Aconselho a leitura da transcrição da conferência feita em 2008 por J.K. Rowling - sim, a do Harry Potter - aos alunos de Harvard, ‘Uma Vida Muito Boa: Os Benefícios do Fracasso e a Importância da Imaginação’. Vejam aforma como ela soube ultrapassar os desejos dos pais, que procuraram convencê-la a que escolhesse um curso com maior "empregabilidade". Mal sabiam que, ao resistir ao seu apelo, ela se iria tornar milionária.

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