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“Esquartejaram à catanada os meus camaradas”

Um tiro entrou no meu ombro. Ajoelhei-me. Esperava o veredicto final. Por um qualquer milagre fui poupado.
24.09.17
“Esquartejaram à catanada os meus camaradas”

A minha primeira comissão de serviço foi na Guiné, entre fevereiro de 1964 e março de 1966, no Destacamento de Fuzileiros Especiais n.º 9. A missão foi espinhosa – tivemos quatro mortos em combate e uma grande quantidade de feridos. Mas lá vencemos a difícil tarefa que nos tinha sido pedida: defender a Pátria com sacrifício da própria vida.

Em novembro de 1966 embarquei para Angola, a bordo do ‘Vera Cruz’, agora incorporado na Companhia nº 1 de Fuzileiros. O destino do meu pelotão foi Massabi. Lá estivemos três meses em patrulhamento.

Foi-nos depois destinado um posto fronteiriço chamado Pedra do Feitiço, onde nos instalámos no início do mês de fevereiro de 1967. Um dia a alimentação chegou-nos estragada de Santo António do Zaire, onde ficava a base logística. Eu era responsável pelo rancho e com o meu grande amigo acordeonista Jerónimo, que era o condutor do jipe, fomos com segurança adequada – Cerdeiral, Silva, Rodrigues e Xabregas – a uma sanzala que ficava a 18 quilómetros, onde negociámos um porco e algumas galinhas. Mas nunca chegaram à mesa dos meus camaradas.

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