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Graça Freitas: Uma senhora da saúde

Doze anos como subdiretora-geral sobressaem no currículo da sucessora de Francisco George. Por enquanto está em regime de substituição, mas já apresentou candidatura ao cargo.
Por Leonardo Ralha|12.11.17
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Graça Freitas: Uma senhora da saúde

Ainda havia crianças a morrer de sarampo quando   Graça   Freitas começou a trabalhar em centros de saúde de Lisboa. A desgraça teve lugar no início da década de 80, mas ainda hoje impressiona a médica de 60 anos que sucedeu, em regime de substituição, ao diretor-geral da Saúde, Francisco George, depois de este se ter reformado ao fazer 70 anos.

Doze anos como subdiretora-geral da Saúde deram a Graça Freitas uma enorme experiência na gestão de crises, que já se revelou necessária devido ao surto de infeções com a bactéria legionella no Hospital de São Francisco Xavier, em Lisboa, responsável por duas mortes na semana passada. Mas a dúzia de anos também serviu para marcar um estilo. Além da preparação científica e do conhecimento dos dossiês que lhe reconhecem no setor, a "elegância no trato que já não é habitual" é realçada por quem consigo trabalhou na Direção-Geral de Saúde. Até porque, não raras vezes, serviu de contraponto ao estilo do antecessor.

Da convivência com a então subdiretora-geral, Francisco George vincou sempre que lhe admirava a recusa   de   ser   ‘yes   person’.   Algo confirmado por quem sabe como funcionavam essas "duas faces de uma moeda": "Discutiam ferozmente em questões técnicas e depois chegavam a um consenso, que era a posição da DGS."

Também se aponta à sucessora de George - pelo menos durante três meses, até ser concluído o concurso público que avalia os candidatos ao cargo - a recusa de "grandes protagonismos". Por isso mesmo hesitou   muito   até   apresentar   a candidatura para ficar à frente de uma instituição que até hoje só tem uma mulher na galeria de retratos de ex-diretores-gerais: Maria Luísa   de   Saldanha   da   Gama   Van Zeller, que o foi entre 1963 e 1971.

Médica fumadora

Nascida em Angola, a 26 de agosto de 1957, Graça Freitas começou o curso em Luanda, com os combates cada vez menos distantes, mas a independência da ex-colónia levou a que terminasse a licenciatura   na   Faculdade   de   Medicina   da Universidade de Lisboa, onde foi assistente   convidada   de   1995   a 2017. Sempre dedicada à saúde pública, teve uma breve passagem por Macau no início dos anos 90 e começou em 1996 a coordenar o Programa Nacional de Vacinação, incluindo as campanhas sazonais de vacinação contra a gripe.

Protagonista da guerra contra os problemas respiratórios dos portugueses, fumou durante mais de duas décadas, após ceder à tentação dos cigarros na faculdade. Mas largou o vício, tal como superou o cancro, obstáculo maior de quem seguiu o lema "preparar para o pior e esperar pelo melhor" quando antecipava as ameaças da gripe aviária (H5N1) e da gripe A (H1N1).

Graça Freitas é casada com Carlos Costa, professor da Escola Nacional de Saúde Pública e responsável por rankings de hospitais. Não tem filhos,   mas   já   levou   milhões   de crianças a vacinarem-se.

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