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Jaime Marta Soares: O maestro da fanfarra

O comandante da Liga dos Bombeiros toca vários ‘instrumentos’ e gosta de se ouvir.
Por Marta Martins Silva|13.08.17
Jaime Marta Soares: O maestro da fanfarra

Houve umas eleições em Vila Nova de Poiares – Jaime Marta Soares foi presidente daquela autarquia durante quase 40 anos – que estavam a     ser     muito     disputadas.     Ele     nem queria pensar em perder a câmara e então fez uma promessa numa ermida: só mudaria de roupa e cortaria a barba se ganhasse". Quem conta esta história sobre o atual presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses não sabe precisar os dias que a mesma roupa esteve por mudar mas, confidencia, "foram muitos". Jaime Marta Soares, 74 anos,     filho     de     um     comerciante de Vila Nova de Poiares, dinossauro do poder político (em 1974 tornava-se um dos autarcas mais jovens do País), presidente da Mesa da Assembleia Geral do Sporting, chegou também a ser presidente da Comissão Política do PSD de Coimbra, ainda hoje sofre por ter deixado a autarquia     da     terra     onde     nasceu. "Principalmente     porque     quem veio a seguir não reconheceu o     seu     trabalho",     conta    um amigo próximo.

O     seu     sucessor     na     Câmara     de Poiares acusou-o de lhe deixar em herança uma dívida superior a 30 milhões de euros e o tribunal chamou-o,     em     2012,     para     defender Paulo     Penedos, então arguido no processo Face Oculta e seu opositor nas autárquicas de 2011 (a quem tratava por Paulinho e que chamou de ‘medricas’).

Protagonismo a quanto obrigas

"Desgasta-se em batalhas desnecessárias,     é     demasiado     emotivo, embora     seja     um     líder     nato",     dizem-nos.     "De     certa     forma,     com todos os cargos que foi tendo, interiorizou que era o dono disto tudo, por isso procura o protagonismo", acrescenta o mesmo amigo. "Tanto que chegou a inaugurar mais de uma     dezena     de     vezes     o     Mercado Municipal de Poiares", diz outro.

Já com os 60 anos cumpridos inscreveu-se no curso de Direito, foi presidente de filarmónicas, centros de convívio e até fundou a Confraria da Chanfana, o seu prato preferido. "Menos transparente", acusa-o um adversário, é na gestão das múltiplas     tarefas.     "Chegou     a     vir para     Lisboa     para     as     reuniões     do Sporting, mas depois quem pagava os hotéis era a Liga dos Bombeiros". Também não há muito tempo, um presidente de câmara de uma terra, que     encarecidamente     nos     pediu para não o nomear, jurou que nunca mais o convidava para discursar. "Numa cerimónia dos bombeiros, pediram-lhe para a sua intervenção não exceder os 15 minutos porque os bombeiros estavam todos na parada     ao     sol     e     ele     falou     durante duas horas", conta um dos presentes. "Ele pensa que tem um estatuto especial. Nos Bombeiros de Carnaxide, no desfile de fanfarras aqui há meia dúzia de anos, o Jaime Soares estava na tribuna, passou uma bombeira muito gira que levava o estandarte     e     ele     não     se     coibiu   de alto e bom som dizer: "Eh pá, aquela gaja é mesmo boa". Estavam uma série de entidades importantes na tribuna e toda a gente ouviu, tirando o som da fanfarra de fundo fez- -se um silêncio sepulcral".

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