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Menos barulho

O barulho de fundo prejudica o desenvolvimento de capacidades e a performance
Por Fernando Ilharco|13.08.17
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Talvez mais do que os vídeos e as imagens, sejam os sons os estímulos dominantes na sociedade actual. Muito boa gente diz que hoje o luxo é o silêncio.

Uma investigação da Universidade da Califórnia do Sul mostra que a informação a que uma pessoa está hoje sujeita diariamente – textos, imagens, sons – equivale à informação apresentada em 174 jornais; um volume mais de cinco vezes superior ao que se estava sujeito em finais dos anos 1980. Noutra investigação, a Universidade de San Diego constata que a quantidade média de horas a que estamos expostos diariamente a nova informação subiu 60 por cento desde os anos 80, rondando hoje as 12 horas por dia.

A grande maioria da informação que nos rodeia não é alvo de uma atenção focada, não nos leva a reflectir sobre ela, é apenas barulho, ruído de fundo. O problema é que este tipo de ruído cansa, perturba e distrai. Afecta o nosso comportamento, relacionamentos e desempenho.

Uma outra investigação, divulgada na obra ‘Scarcity’, defende que o ruído prejudica directamente o trabalho e os resultados do dia-a-dia. Na cidade norte-americana de New Haven, constatou-se que numa escola localizada junto a uma linha de comboios, o desempenho dos estudantes variava claramente de turma para turma. Havia turmas aceitáveis, com médias de aproveitamento dos alunos alinhadas com os valores médios do país. Mas havia turmas claramente abaixo, muito fracas; havia demasiadas turmas abaixo da média.

Metade das turmas tinha aulas do lado da escola mais exposto ao barulho dos comboios. Desde o início, os investigadores procuraram saber se essas turmas eram as dos maus alunos? Se essas turmas ao longo dos anos, consistentemente, com alunos a entrar e a sair, eram as turmas dos alunos com as classificações mais baixas? E eram.

Os alunos que ao longo de vários anos tinham tido aulas sempre do lado da escola onde se ouvia de forma mais intensa o barulho dos comboios, então no sexto ano de estudos, estavam, em média, um ano atrás dos colegas que tinham tido aulas no outro lado da escola.

Depois de um primeiro choque, os professores, a direcção da escola e os alunos decidiram reagir aos estudos levados a cabo. Foram instaladas paredes anti-ruído junto à linha do comboio e sistemas de isolamento a proteger as salas de aula. As classificações dos alunos do lado barulhento da escola começaram a subir de imediato, o que poderia também ter ficado a dever-se a uma subida de motivação, por terem sido alvo de uma atenção especial. Mas o facto é que a subida das notas continuou e em poucos anos deixou de haver qualquer diferença entre os alunos dos dois lados da escola.
Texto escrito na antiga ortografia

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