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Mergulho no vazio do Olvido

Os Grandfather’s House voltam a surpreender com nova metamorfose estética, mais densos e negros que nunca.
17.09.17
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Mergulho no vazio do Olvido

As Escolhas de... Adolfo Luxúria Canibal

Quando em 2013 ouvi os Grand-father’s House no vídeo caseiro com que concorreram ao concurso de novas bandas do Festival de Paredes de Coura, tive uma revelação. A breve nota junta ao vídeo dizia terem surgido em Vila Nova de Famalicão no ano anterior, como a one man’s band do guitarrista Tiago Sampaio, e que recentemente a irmã, Rita Sampaio, se lhe tinha juntado na voz.

O que se via era um duo de adolescentes, não parecendo Rita ter mais de 15 anos de idade… Mas a sua voz era um portento, rouca, densa, com um negrume de fazer arrepiar o mais empedernido, que casava maravilhosamente com as explosões sonoras que o irmão arrancava da guitarra, num blues sujo, arranhado, distorcido, difícil de acreditar que pudesse surgir dos recônditos campos minhotos. Claro que foram apurados para o festival desse ano…

Rock’n’roll

Em 2014 editam ‘Skeleton’, um registo desse rock blues sujo, explosivo, de voz gritada e soul a sair das tripas, que deixa uma viva impressão em quem o ouve. Após a edição, João Costeira junta-se- -lhes na bateria e os concertos de promoção são já feitos em trio, com Rita Sampaio a aventurar-se pelos sintetizadores.

Em 2015 volto a cruzar-me com a banda e o seu rock’n’roll em estado puro, selvagem, com a voz a soltar-se, psicótica, e a levar-nos pelas orelhas para a excitação sensual dos corpos cavalgados pelo ritmo. Mas na apresentação de ‘Slow Move’, em 2016, já pareciam um outro grupo, ainda bem sujos mas mais contidos e menos explosivos do que antes, num synth-pop civilizado e Rita Sampaio a abandonar paulatinamente o grito e a concentrar-se no canto.

E agora, em ‘Diving’, dá-se outra metamorfose: os Grandfather’s House alargam a sua paleta sonora, com o acrescento de mais teclas e de um saxofone, apresentando uma densidade mais pesada e fantasmagórica, uma desolação nocturna feita de negritude e abandono ao olvido que se instala e nos envolve até ao sufoco, no refinamento estético de uma nova abordagem sonora que é uma bem agradável surpresa.

DISCO

Contendas épicas do outro lado do sol

Ao nono álbum, os escoceses Mogway, formados em 1995, não renegam o seu post-rock maioritariamente instrumental, mas gravam o seu disco mais pop para, guiados por uma linha de baixo através de vastos territórios saturados de fuzz e de órgão, nos imergirem num ambiente intensamente depressivo e lunar.

FILME

Mais vale um delirio tarde que nunca

Finalmente estreado em Portugal, o filme em que Jonathan Demme – muito antes de se aventurar na realização de ‘O Silêncio dos Inocentes’ que o tornou famoso – captura a energia dos Talking Heads em concerto, então em pleno pico de forma, naquele que viria a tornar-se a referência dos filmes-concerto.

LIVRO

Quando a ficção antecede a realidade

Uma premonição da II Guerra Mundial, escrita em 1935, e a descrição do mundo pós-apocalíptico a que o profundo desejo de auto-aniquilação da humanidade dá origem, numa radical desilusão acerca da natureza humana e das distopias que encerra por parte de uma futura vítima dos campos de extermínio nazis.



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