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O amor, a vida, as vacas e a luta venezuelana

Maradona até é argentino, nada que o impeça de se voluntariar a pegar em armas por Maduro. É só uma bravata entre muitas
Por Fernanda Cachão|13.08.17
O amor, a vida, as vacas e a luta venezuelana

Um pouco com a cabeça e um pouco com a mão de Deus "é a frase que nenhum adepto inglês ou argentino esquece, por razões diferentes evidentemente. Num jogo a contar para os quartos de final do Mundial de 1986, frente à seleção inglesa, com 115 mil pessoas, no Estádio Azteca, no México, Diego Maradona fez o golo que ajudou ao mito e que poderia ter sido, mas não foi invalidado. Aproveitou uma bola de Steve Hodge e, do alto de seu 1,65 m, superou Peter Shilton e faturou para o seu país. O árbitro tunisiano Ali Bennaceur não viu que El Pibe (O Garoto) - que hoje, aos 56 anos, está em primeiro lugar entre os (ex-)futebolistas mais bem pagos de 2017 para a People With Money, com 75 milhões de dólares calculados em rendimentos combinados -utilizou há três décadas a sua mão esquerda para fazer entrar a bola na baliza adversária. No final da partida de 22 de junho, o golo "um pouco com a cabeça e um pouco com a mão de Deus" foi fundamental para o resultado das seleções dos países que, quatro anos antes, tinham sido adversários mas na guerra das Malvinas, em junho de 1982, por causa das ilhas   que   em   inglês   se   chamam Falklands. Bobby Robson, o selecionador de 1986, resumiu no final desse encontro: "Não foi a mão de Deus. Foi a mão de um malandro".

A bocarra de El Pibe

Ali Bennaceur, a quem ofereceu em 2015 uma camisola com o número 10 autografada   e   com   dedicatória   ao "meu amigo", não será, no entanto, tão seu amigo como o amigo Hugo Chavez o foi (ver caixa) e ainda é. E à mão de Deus, Maradona já se referiu desde 1986, noutras ocasiões, pelo menos ao dedo de Deus e à razão de Deus.   Esta   semana   e   sem   evocar Deus em vão, escreveu no seu Facebook que estava disposto a pegar em armas pelo atual regime venezuelano: "Nós somos chavistas até à morte. E quando Maduro ordenar, estarei vestido de soldado para libertar a Venezuela, para lutar contra o imperialismo e contra aqueles que querem apoderar-se das nossas bandeiras."   Também   já   tinha   dito   que "tudo   o   que   Fidel   faz,   tudo   o   que Chavez faz, para mim está bem feito" e sobre Bush na Argentina, que liderava a marcha contra a visita de "um assassino".

A fortuna do líder da lista da People With Money, que considera fatores como   pagamentos   antecipados, participação em lucros, valores residuais, patrocínios e trabalho publicitário, investimentos em ações ou propriedades imobiliárias, vem de coisas como, por exemplo, os cosméticos CoverGirl, a exploração de restaurantes (a rede ‘Maradona Gordão’), de uma equipa de futebol, da marca de vodca Pure Wondermaradona   -   Argentina,   bem   como   dos perfumes ‘De Maradona com Amor’ e das roupas ‘Sedução by Maradona’. Uma verdadeira ‘mão de Deus ‘ deve ter ajudado a quem, em 2005, admitiu não ter um peso, mas que a quem o contrário também tem criado problemas, com a família e não só. El Pibe tem cinco filhos e sobre o assunto da paternidade já disse: "Os meus filhos legítimos são Dalma e Giannina. O resto foi produto do dinheiro e de erros". Mas, no ano passado, depois de uma longa batalha e vários testes de ADN, teve de reconhecer Diego Maradona Sinagra, que nasceu quando o craque jogava em Nápoles e ainda estava casado com Claudia Villafañe, com quem teve as já referidas filhas. É ainda pai de Dana, nascida de outra relação extraconjugal, com uma empregada de mesa de uma discoteca de Buenos Aires, e de Diego, de três anos, e talvez de mais uns quantos, conforme já admitiu.

Sobre a camaradagem nas quatro linhas já disse - "estava à espera que os meus colegas de equipa viessem e me abraçassem, mas como ninguém aparecia,   disse-lhes:   ‘venham   e   abracem-me, pois o árbitro permite’" - e depois de desfazer um carro a um jornalista: "Fi-lo com a mão da razão." A Julio Grondona, presidente da federação argentina de futebol, depois deste ter sugerido que a Argentina só marcou   nos   descontos   porque   o "amaldiçoado"   Maradona   já   tinha deixado o estádio, mostrou "o dedo de deus", o dedo médio, em direto na TV. No Mundial de 1998, em que a Inglaterra teve a oportunidade da desforra, Maradona já fora de jogo disse que "os jogadores tinham pé chato" e que "pareciam robots e que, por isso, precisavam mais de lubrificante do que de uma massagem".

Numa conferência de Imprensa no Mundial de 2010, o mister Maradona passou com o carro sobre o pé de um jornalista, mas explicou: "Como é que puseste a tua perna de maneira a que eu te passasse por cima?" E na   fase   de   qualificação,   convidou "aqueles que não acreditavam: ‘Que la chupen y sigan chupando’".

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