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Não adianta protestar contra a globalização num mundo cada vez mais interligado. É uma guerra idiota
13.08.17
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O Mundo

Por Maria Filomena Mónica

Quando vivi no estrangeiro, estavam sempre a perguntar-me por que razão Portugal, um país que no século XVI fora caput mundi, tão cedo tivesse entrado em declínio
. Repeti que éramos uma nação pequena e, por conseguinte, pouco adequada à construção de impérios. Ao olhar há dias a pintura que retrata a lisboeta Rua Nova dos Mercadores no século XVI dei comigo a cismar se outro poderia ter sido o nosso destino. Não, não podia. Depois de Vasco da Gama, o mundo passara a ser outro. Hoje, já não é possível encontrar a profusão de mercadorias presente no quadro de Rossetti. Gostando de variedade, de cada vez que, em Lisboa, comprava uma peça de indumentária sentia-me defraudada. Até que, em 1962, parti para Londres. Com pouco dinheiro, limitei-me a olhar as montras com lascívia.

Casaquinhos pink

Durante mais de 50 anos, todas as minhas roupas, de camisolas a toalhas de turco, foram compradas no Marks & Spencer. Fundada em Leeds em 1884, esta rede de armazéns orgulhava-se de vender apenas produtos fabricados na Grã-Bretanha, o que, se me era indiferente, não o era aos nativos. Até que, um dia, os adolescentes passaram a desejar casaquinhos pink com brilhantes, os quais conviviam mal com as eternas camisolas beije. Agora, que não posso viajar, sirvo-me do comércio lisboeta. Comprei uma toalha de praia num ‘chinês’. A fim de surpreender os meus netos, escolhi uma com a bandeira portuguesa, tendo constatado que o local onde a dita havia sido fabricada era a ‘Ásia’. Uma amiga, que tinha ido à Índia, trouxe-me um daqueles tapetes para o rato do computador, onde vinham as seguintes palavras: "Patented Worldwide" e "Made in the USA". Estava quase a desesperar de encontrar qualquer coisa fabricada em Portugal, quando comprei um soutien da marca Figfort. Na lingerie, pelos vistos, conseguimos competir.

A luta contra a globalização tem conquistado intelectuais. É uma guerra idiota, pois, de um mundo interligado, não há recuo. O que os esquerdistas esquecem é que a globalização está a tirar da miséria quem até hoje morria de fome. O que podemos e devemos fazer é conseguir bons tratados comerciais. O resto são delírios.

Restaurante
Tão bom que era almoçar no La Gondola

Tenho pena que o La Gondola vá ser demolido para dar lugar à sede do Montepio. Claro que as cidades têm de se renovar, mas correm o risco de, com tanta renovação, acabarem por perder a personalidade. Há anos que lá não vou, mas não esqueço quão agradável era almoçar, em Lisboa,
debaixo de uma parreira.

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