Os escassos recursos começaram há 100 anos

Falta de alimentos durante a Primeira Guerra Mundial obrigou os portugueses a irem para a bicha.
02.09.18
A 8 de setembro de 1918, faz este sábado exatamente um século, os portugueses começaram a receber as primeiras senhas de racionamento e ‘cartas de consumo’ indispensáveis para poderem comprar – legalmente – um conjunto de bens de primeira necessidade.

No meio da escassez, fome e miséria que desde há muito ensombravam o dia a dia, a medida tomada pelo governo de Sidónio Pais valeu sobretudo pelo simbolismo: o reconhecimento de que as autoridades estavam decididas, por um lado, a impor o controlo do Estado sobre a economia, nomeadamente sobre a distribuição e comercialização dos produtos essenciais; e, por outro, a garantir a justiça e a equidade no seu acesso por parte de toda a população.

Portugal já estava oficialmente envolvido no conflito mundial há mais de dois anos. A 9 de março de 1916, o império alemão declarou guerra ao nosso país. Uma reação esperada, desde que, a 23 de fevereiro daquele ano, o Governo português, até então neutro na I Guerra Mundial – com exceção de alguns combates fronteiriços travados logo a partir de 1914 no norte de Moçambique (junto à colónia alemã de Tanganica, atual Tanzânia) e no sul de Angola (perto do Sudoeste Africano Alemão, atual Namíbia) –, ‘requisitou’, melhor dizendo apressou, a pedido da Inglaterra, os navios alemães e austro-húngaros surtos em portos portugueses e das colónias lusas.

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