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O rock exibe o seu esplendor

Quando de todos os lados declaram pela enésima vez a sua morte, ei-lo aí, vital e urgente como nunca.
11.02.18
O rock exibe o seu esplendor

O ano não podia ter melhor começo: a contestar mais um anúncio da morte do rock (parece que os arautos da ordem, trasvestidos em críticos musicais, têm necessidade de fazer o obituário de um género que não lhes perdoa o envelhecimento), surgem de uma vez três edições que elevam bem alto a sua pertinência.

É assim com os discos novos de Ty Segall, do seu camarada John Dwyer (sob o patrónimo OCS), e dos referenciais Black Rebel Motorcycle Club que no virar do século fizeram parte do movimento de retorno ao garage rock. Pondo fim ao jejum de cinco anos, o trio criado em São Francisco em 1998, e dirigido por Peter Hayes e Robert Levon Been, chega ao oitavo álbum de originais. ‘Wrong Creatures’ traz- -nos um crescendo psicadélico de sombras laceradas e reverberação urbana, que se eleva numa oração cósmica de electricidade primordial. É BRMC no seu melhor!

Também de São Francisco, John Dwyer tem-se mostrado prolífico activista do underground desde que em 2003 fundou a Castle Face e começou a editar freneticamente com um grupo de estrutura e grafia variável chamado OCS, The Oh Sees, Thee Oh Sees ou Oh Sees. Este ‘Memory of a Cut Off Head’ é o 20º álbum do colectivo, embora apenas o quinto sob a designação OCS, que parece aplicar-se às gravações a duo, numa base mais acústica e próxima das premissas folk. Trata-se de uma colaboração com Brigid Dawson, já cantora e teclista noutras encarnações da banda. Resulta um disco de delicadas melodias e doçura pop de arrepiar, bem diferente das investidas garage e krautrock a que o nome Thee Oh Sees está reservado. E que é território de outro filho de São Francisco, Ty Segall, que assina com ‘Freedom’s Goblin’ o décimo disco em nome próprio. Mas o duplo ‘Freedom’s Goblin’ não se fica pelo garage rock, antes é uma viagem por uma panóplia de estilos que deixam brilhar o seu talento criativo, do funk ao glam mais colorido, do free jazz ao stoner mais abrasivo. E, claro, ao psicadelismo…

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