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Os professores

Olhando ao que agora se pratica, produto das políticas dos vários ministérios da Educação, lembro os professores que me marcaram
27.11.16
Os professores

Na sessão solene de abertura do ano lectivo em Lisboa, David Justino, presidente do Conselho Nacional da Educação, criticou o modelo de recrutamento e "seriação" dos docentes do ensino não-superior, segundo o qual estes são ordenados com base nos anos de serviço e na média final do curso. Colocado o pezinho no primeiro grau do ‘quadro’, vai-se por ali fora até se chegar ao topo.

Por não haver dinheiro para contratar gente nova, a classe docente está envelhecida, o que se repercute no ambiente das aulas, que alterna entre o bocejo e a indisciplina. A percentagem dos professores com mais de cinquenta anos é hoje de 40 por cento. Claro que, em princípio, se pode ter uma idade avançada e ser-se bom professor, mas, ao fim de décadas emparedados entre alunos aos pulos e um ministério que os trata como servos da gleba, os docentes estão esgotados. Não admira que Teresa Santos Costa, com 36 anos de serviço no 1º ciclo do Ensino Básico, tenha declarado ao ‘Diário de Notícias’ (edição de 5 de Outubro de 2016) faltarem "professores com boa disposição e alegria". Fartos dos ‘diktats’ do Ministério, já nem protestam.

A táctica do poder – a de os cansar com ordens estúpidas – resultou. Para se ser um bom professor são necessárias duas coisas: ter o domínio da matéria e gostar dela. As "qualidades pedagógicas" são balelas. Ao contrário do que sucede em vários países, a avaliação individual não é feita em Portugal com o avaliador dentro da sala de aula, procurando corrigir erros e estimular o que se considere positivo, mas baseia-se em listas burocráticas.

Seguindo a mesma filosofia, a avaliação das escolas é surrealista. O acto, com dia marcado, é solicitado pelas instituições que assim esperam ter uma boa nota e, desta forma, conseguir benesses. Entre outras coisas, são feitas "entrevistas de painel" a grupos considerados como "representativos da comunidade educa- tiva", sem sequer se ter em conta a origem social dos alunos.

Robot ou professor

Olhando o meu percurso escolar, noto que os professores que me marcaram estavam longe de ser "bons professores" no sentido em que o ministério o entende. Deixo de lado os catorze anos de formação numa escola de freiras, em que todas as docentes, até pelo hábito, se pareciam umas com as outras.

Por, na Faculdade, me ter inscrito como "trabalhadora-estudante", tive poucos contactos com os docentes, mas ainda me lembro das aulas do Padre Manuel Antunes, não porque entendesse o que ele dizia, mas por ter compreendido que o Mundo Clássico podia ser fascinante, do Professor Borges de Macedo, que se especializou em me aterrorizar mas sabia do que falava, e do Professor Oswald Market, que teve a ousadia de me reprovar, declarando, o que era verdade, ser eu uma total ignorante.

O Politicamente Correcto impede que surjam professores como estes, mas são pessoas assim que nos marcam: ter um robot diante si não serve para nada.

DVD

‘The Story of Elizabeth Cady Stanton e Susan B. Anthony’

Elizabeth Cady Stanton (1815/1902) é a feminista com quem mais me identifico. O seu texto mais importante, ‘Declaration of Sentiments’, apresentado em Nova Iorque, em 1848, é tido como o primeiro passo na luta pela emancipação das mulheres americanas. Vale a pena encomendar o DVD que conta a sua vida e a sua luta.

realizador Ken Burns

Intérpretes Julie Harris

Sally Kellerman

Ronnie Gilbert

Adam Arkin

Charles Durning

emissão PBS (1999)    

DVD

‘The Global City: On The Streets of Renaissance Lisbon ’

A mais interessante ilustração desta obra retrata a rua Nova dos Mercadores em Lisboa no séc. XVI. O leitor pode entreter-se horas, olhando os nobres a cavalo, as mulheres com bilhas

à cabeça, os miúdos a puxarem pelo rabo de um gato. A cidade assemelhava-se a um jogo de xadrez, com tantos brancos quanto pretos. Lisboa era então uma cidade multi-racial.  

Organização Annemarie Jordan Gschwend and K.J.P. Lowe

à venda Museu nacional de arte antiga, Lisboa

passeio

Cabo Espichel

Há dias, fui até ao Cabo Espichel. As escarpas até ao mar são lindíssimas, o Santuário de Nossa Senhora do Cabo está restaurado e a Ermida da Memória lembra outras religiões. A ausência de turistas

foi um bónus. Ainda hesitei sobre qual seria a melhor forma de dar vida às ‘hospedarias’ dos peregrinos – agora com as portas e as janelas emparedadas – até concluir que o melhor é deixar tudo como está.

concelho sesimbra

FUGIR DE:

Trump

Dias após a tomada de posse, Obama assinou uma ‘Executive Order’, no sentido de, ao fim de um ano, a prisão americana de Guantânamo estar encerrada. Fiquei triste ao verificar que não o conseguiu fazer. Mas o pior estava para vir. Os Estados Unidos acabam de eleger um presidente, Donald Trump, que já demonstrou ser totalmente indiferente à existência de um Estado de Direito. Nunca pensei que isto pudesse acontecer num país que admiro.

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