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"Pelas minhas mãos passaram mais de 60 mortos"

"Era doloroso e ainda hoje acordo por causa das memórias. Era mecânico num Alouette que resgatava vítimas", conta Amilcar Pires.
03.12.17
Saí dos Pupilos do Exército e fui para França tirar o curso de rádio de helicópteros Alouette III. Depois, fui mobilizado para Angola e colocado na Base Aérea 9, em Luanda, integrado na Esquadra 94. Depressa esqueci teorias, pois a realidade era diferente. Nas evacuações, éramos nós – os mecânicos, no meu caso de rádio – que saíamos com a maca para recolher feridos e mortos. Era bem difícil.

Foram vários os Alouettes furados por projéteis inimigos mas, por sorte ou perícia dos pilotos, nenhum foi abatido. Alguns caíram por avaria e outros porque queríamos socorrer as nossas tropas em sítios inacessíveis. Lembro-me de uma vez morrerem seis camaradas, um dos quais tinha-me pedido, à última hora, para ir no meu lugar.

Durante as missões, todos os tripulantes se uniam e com espírito de humor dizíamos: ‘Isto está preso por arames, mas voa!’ Foram vários os casos em que os rotores das caudas partiram e as aeronaves caíram como pedras. Uma vez, numa operação de resgate de vítimas, o helicóptero teve uma avaria mas valeu-nos o piloto, que conseguiu desligá-lo no ar. Caímos desamparados na mata, mas ninguém morreu.

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  • De  Anónimo 05.12.17
    Os civis tem de tomar mais consciência do desgaste e espírito de sacrifício da vida militar , mas a classe politica abafa tudo querem ser eles os heróis e bem feitores.
1 Comentário
  • De  Anónimo 05.12.17
    Os civis tem de tomar mais consciência do desgaste e espírito de sacrifício da vida militar , mas a classe politica abafa tudo querem ser eles os heróis e bem feitores.
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