PODEROSA AFRODITE

Uns pós de canela, de açafrão ou um prato de amêijoas podem fazer muita diferença. Podem aquecer a mesa mais fria. Os afrodisíacos são receita antiga e inofensiva, mas outras existem, mais modernas, que podem até matar
10.08.03
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PODEROSA AFRODITE
Foto Arquivo CM
O encontro era a dois, à luz das velas. A mesa parece saída da capa de uma revista de decoração. A voz aveludada de Nat King Cole sai das colunas da aparelhagem. O Sol vai desaparecendo entre as persianas. O ambiente era perfeito para a noite se tornar inesquecível. Mas o tempo passa, e a conversa continua formal e hesitante? Talvez falte alguma coisa... De afrodisíaco? “A gula é um dos caminhos mais directos para a luxúria, e se avançarmos um pouco mais, para a perdição da alma”, escreveu Isabel Allende, no seu livro ‘Afrodite’. Condimentos como o açafrão, a canela, o cravo, o louro. Substâncias como o guaraná, o ginseng, o gengibre. Animais marinhos como a amêijoa, o mexilhão ou as ostras. Ou frutos como a amêndoa, o coco ou o pistácio, podem fazer a diferença num jantar romântico. Não têm o efeito de um Viagra, mas são vaso-dilatadores. “Os produtos afrodisíacos não são um fenómeno actual. Sempre se procuraram substâncias que pudessem ter o efeito de conquistar ou influenciar a pessoa desejada”, defende o psicólogo Nuno Nodin. “Por exemplo, o álcool, em doses moderadas, pode servir como um desinibidor social e quebrar o gelo”. O problema é quando “já não se pode passar sem essas substâncias para estar com o outro.”
SUPER POTÊNCIA
Antes do aparecimento da ‘pílula azul’ no mercado, um dos afrodisíacos mais procurados entre homens com problemas de erecção e mulheres com sinais de frigidez era o pau-de-cabinda. “Quer ser um garanhão ou uma leoa, pelo menos uma noite na vida?”, sugeriam os anúncios, com pompa. Hoje, a planta africana continua a seduzir os adeptos mais tradicionalistas, embora o poderoso afrodisíaco se venda quase clandestinamente. A receita mais procurada é, portanto, o chá de pau-de-cabinda. “Basta deixar a erva ferver em água durante cinco minutos e tomar durante o dia (uma colher de chá para 200 ml de água, duas a três vezes o acto sexual)”. Depois, é só deixar o instinto entrar em acção.
O AROMA DO AMOR
Os cheiros também estimulam o instinto sexual. “Há uma força persuasiva no perfume que é mais convincente do que as palavras, do que a aparência visual, do que o sentimento e a vontade”, escreveu o alemão Patrick Suskind, em ‘O Perfume’. Aromas naturais, como o perfume de rosas, sândalo, jasmim e o ‘patchouli’ são considerados afrodisíacos. Recentemente, os cientistas descobriram que não são apenas os animais que produzem as feromonas, uma substância que se liberta nos poros para cativar o sexo oposto. Um artigo da revista ‘Nature’ veio comprovar que as mulheres têm comportamentos diferentes na presença da feromona. O seu cheiro é quase indetectável ao olfacto, mas pode determinar o sucesso o fracasso de uma conquista sexual. Estará descoberto o aroma do amor?

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